Política

Quem não compreender pauta da sociedade será substituído pelo voto, diz Campos

Da Redação ·





Por Daniel Carvalho

RECIFE, PE, 16 de julho (Folhapress) - Ao avaliar as ações do governo federal diante das reivindicações populares nos protestos de junho e julho, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB-PE), disse hoje que a presidente Dilma Rousseff ainda não fez o "suficiente" e que quem não compreender a nova pauta da sociedade será "substituído".

Campos, virtual adversário de Dilma nas eleições presidenciais do ano que vem, disse que a sociedade está exigindo cada vez mais respostas, transparência e zelo pelos recursos públicos.

"Aqueles que estão na política e não compreenderem isso [nova agenda de reivindicações] ou que não derem, de forma adequada, respostas para a nova agenda vão ser substituídos pelo voto direto por aqueles que tenham capacidade de responder à nova agenda", afirmou o governador, após participar de missa em homenagem à Nossa Senhora do Carmo, padroeira do Recife.

Sobre a efetividade das medidas adotadas por Dilma Rousseff para responder à onda de protestos, Eduardo Campos disse que ainda é preciso fazer mais.

"Seria injusto dizer que o governo não se mexeu diante das dificuldades. Agora, ainda não o suficiente. Tem muitas coisas que vão precisar ser desdobradas", disse Campos, citando os pactos prometidos por Dilma para saúde e educação.

"É preciso compreender que entramos numa rota onde a sociedade vai estar cada vez mais exigente por respostas", disse.

"Meu presidente"

Campos participou, no altar, da missa em homenagem à padroeira. Apesar de não ter entrado pela porta principal da abarrotada basílica, o governador foi bastante cumprimentado por fiéis que se dirigiam a ele como "meu presidente" e pediam fotos.

"Amo esse presidente. Já faço uma campanha medonha para ele", disse a aposentada Zilda Guimarães, 87, ex-diretora da Ordem Terceira do Carmo.

Apesar de também ter sido alvo de protestos no Recife, Campos procurou se blindar dos efeitos dessas manifestações. Disse que não foi criticado na maior passeata, realizada no mês passado, quando mais de 50 mil pessoas foram às ruas.

As críticas, segundo ele, vieram apenas nos protestos organizados por centrais sindicais na semana passada.

"Trezentas pessoas com forças políticas claramente definidas, que têm uma posição clara e disputam todas as eleições conosco, que têm 1%, 2% dos votos e se expressa dessa forma", afirmou.

Há imagens de faixas e cartazes contra o governador em ambos os protestos.

Campos disse ainda que as manifestações contrárias a ele são "bem diferentes" do que mostram as pesquisas de opinião --nenhum instituto mediu a popularidade do pernambucano depois da onda de protestos.
 

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