Política

Oposição entrará com ação contra a ministra Maria do Rosário por acusações

Da Redação ·







Por Gabriela Guerreiro e Márcio Falcão

BRASÍLIA, DF, 12 de julho (Folhapress) - A oposição vai entrar com representação contra a ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) na Comissão de Ética Pública do governo por ela ter responsabilizado os oposicionistas pelos boatos sobre o fim do programa Bolsa Família.

Como a Polícia Federal concluiu hoje investigação que aponta responsabilidade da Caixa Econômica Federal nos boatos que levaram milhares de pessoas a tentar sacar o benefício, a oposição considera que Rosário deve se explicar à comissão.

"Uma ministra de Estado não pode ter esse comportamento, uma ação político-eleitoreira, querendo transferir a desorganização do governo para a oposição. Ela precisa responder a esse ato", disse o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO).

Caiado será responsável pela ação contra Rosário na comissão. O deputado considera que a disputa eleitoral antecipada levou a petista a acusar DEM e PSDB pela disseminação dos boatos, na mesma linha de outros oposicionistas.

"Os petistas não hesitam em fazer média com a inquietação da população. Não hesitaram em fazer factoide político com uma mentira em ano pré-eleitoral", disse o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN).

O senador afirmou que, desde o início, o governo sabia que falhas técnicas tinham desencadeado os boatos. "Atribuíram à oposição uma coisa que eles sabiam ser falha do sistema deles", completou.

Vice-líder do PSDB, o senador Álvaro Dias (PR) disse que uma "lambança" feita pela Caixa foi efetivamente responsável pelos boatos do fim do programa. "Não era necessário nem nos dizer que não era a oposição porque estava visível que se tratava de uma lambança dentro do próprio governo, na Caixa Econômica Federal. Nós queríamos que as investigações alcançassem outras instâncias, mas isso não avançou."

A Polícia Federal finalizou o inquérito que investigou a onda de boatos sobre o Bolsa Família, após quase dois meses de trabalho, mas não identificou nenhum indício de crime. Por isso, nenhuma pessoa foi indiciada ou responsabilizada.

A conclusão contraria o discurso oficial do governo federal explicitado logo após a onda de boatos, no sentido de que haveria uma ação orquestrada para difundir o boato sobre o fim do programa.
 

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