Política

Dilma anuncia medidas contra a seca em primeiro evento após vaia

Da Redação ·

Por Nelson Barros Neto e Aguirre Talento SALVADOR, BA; FORTALEZA, CE, 4 de julho (Folhapress) - Em seu primeiro evento público desde que foi vaiada na abertura da Copa das Confederações, em Brasília, a presidente Dilma Rousseff vai hoje a Salvador anunciar medidas contra a seca, mas desta vez em ambiente fechado e para uma plateia de aliados. O ato incluirá anúncio de plano para agricultores do semiárido e entrega de equipamentos para prefeituras. Marca ainda a tentativa de Dilma de retomar uma agenda positiva e sem sobressaltos em meio à queda na avaliação da gestão --de 27 pontos desde o início dos protestos pelo país, segundo o Datafolha. "Nossa turma dos movimentos sociais estará toda lá dando apoio à presidenta", afirmou Jonas Paulo, presidente do PT baiano. Ônibus do interior levarão prefeitos, correligionários e dirigentes rurais ligados ao partido. O evento, em auditório para 1.900 pessoas no centro de convenções da capital baiana, será "aberto, mas com entrada controlada" devido à limitação de público, segundo o cerimonial do governo Jaques Wagner (PT-BA). A visita de Dilma a Salvador deveria ter ocorrido há 13 dias, mas foi adiada na noite em que a cidade registrou sua maior manifestação neste ano, com 30 mil nas ruas, confrontos com a polícia e ônibus incendiados. Pela justificativa oficial, houve desencontro de agendas entre governadores do Nordeste. Seca O lançamento do chamado Plano Safra Semiárido ocorre três meses após Dilma ter anunciado, no Ceará, pacote de R$ 9 bilhões para o combate à seca, cuja execução anda a passos lentos. O plano inclui ações de estímulo ao armazenamento de alimentos e à produção de forragem (alimento para animais), entre outras. A região vive a maior estiagem dos últimos 50 anos, que há meses afeta cerca de 10 milhões de pessoas. Agricultura e pecuária acumulam perdas de R$ 3,6 bilhões. Como parte do pacote de medidas de abril, o Planalto decidiu prorrogar em até dez anos o pagamento de dívidas contraídas entre 2012 e 2014 por agricultores afetados pela seca, estimando renúncia fiscal de R$ 3,1 bilhões. Até o final de junho, 39 mil produtores haviam renegociado seus débitos, em total de R$ 510 milhões. Outras ações anunciadas em abril, como a Folha mostrou há duas semanas, ainda tardam a chegar ao pequeno agricultor: a entrega de milho atrasou, cisternas ficaram abandonadas, a oferta de carros-pipa não tinha tido o aumento prometido e só havia liberação de 30% dos recursos para perfuração de poços.  

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