Política

"A comunicação do governo é analógica", diz secretário-geral do PT

Da Redação ·

Por Catia Seabra BRASÍLIA, DF, 3 de julho (Folhapress) - O secretário-geral do PT, Paulo Teixeira (SP), lança amanhã sua candidatura à presidência do PT em oposição ao atual presidente, Rui Falcão. Em campanha para a disputa de novembro, seu discurso é de que o atual comando do PT "não conseguiu entender os movimentos emergentes" da sociedade e hoje "não dá conta de enfrentar o desafio". Na opinião de Teixeira, a comunicação do governo de Dilma Rousseff também tem perdido o debate político e nas redes sociais. "A comunicação do nosso governo é analógica. Não é digital. O governo tem que ter uma comunicação digital. Ele não pode só falar. Tem que ouvir. Há uma avaliação de que o nosso governo deveria conversar mais mesmo", disse Teixeira, cuja candidatura tem o apoio do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) e dos governadores Jacques Wagner (Bahia) e Tarso Genro (Rio Grande do Sul). "Não fomos bem na comunicação. Tem um tema das comunicações que não é só no gogó. É nas redes sociais, no debate", acrescentou. Ao fazer uma avaliação das manifestações --das quais ele e as filhas participaram--, Teixeira reconheceu que o julgamento do mensalão, em curso desde o ano passado, teve impacto sobre os jovens que foram às ruas. "Evidentemente, o julgamento do mensalão no último ano causou desgaste ao PT. Essa juventude participou desse processo, assistiu a esse processo. Claro que tem sobre ela o impacto", admitiu Teixeira, afirmando que o partido foi correto ao criticar a "politização do julgamento". Embora apoie a atuação do PT ao longo do julgamento, Teixeira afirma que o partido tem que "virar a página". "É um fato de sete anos. Já lambemos a ferida. Temos que olhar para frente", justificou. Para Teixeira, nos últimos dez anos o PT "se debruçou na tarefa de governar" e acabou por se afastar dos movimentos sociais. "O PT não conseguiu alcançar o tema dos segmentos sociais que emergiam na política. Ele se debruçou na administração, se afastou, não conseguindo compreender os novos temas emergentes da sociedade", disse Teixeira. Na opinião de Teixeira, "o peso de governar levou o PT fazer muitas mediações, concessões e às vezes equívocos políticos". "Com isso, fomos pegos no contrapé", afirmou ele, sem explicar a que equívocos se referia. Teixeira afirma que o partido precisa "resgatar o modelo de direção mais coletiva" perdido em 2010. Na crise, afirma, o partido terá chances de retomar o debate político. "O modelo da direção atual é insuficiente. Não dá conta do tamanho do desafio", disse ele. O petista afirma que o partido promoveu rico debate político em momentos de severas crises, como no mensalão. "De 2005 a 2010, tivemos um intenso debate político. De 2010 para frente mudaram as direções. Há um déficit de debate político e de concepção de direção coletiva. Esses dois aspectos é que precisamos superar para vencer esse desafio."  

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