Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Política

publicidade
POLÍTICA

Comissão aprova projeto que pode dificultar o aborto legal

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

Comissão aprova projeto que pode dificultar o aborto legal
Autor Comissão aprova projeto que pode dificultar o aborto legal - Foto: Agência Câmara

BRASÍLIA, DF, 5 de junho (Folhapress) - Com o discurso de proteção da vida desde a concepção, deputados da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara aprovaram hoje um projeto de lei que pode dificultar a realização do aborto previsto em lei. O texto também cria uma espécie de "bolsa" para a mulher vítima de estupro que mantiver a gestação.

Apelidado de "Estatuto do Nascituro", o texto estabelece que devem ser reconhecidos, desde a concepção, "todos os direitos do nascituro, em especial o direito à vida, à saúde, ao desenvolvimento e à integridade física e os demais direitos da personalidade".

Apesar de não alterar o Código Penal para excluir da lei o aborto já permitido no país -em caso de estupro, risco de vida para a mãe ou de fetos com anencefalia-, o projeto abre brecha para que a interrupção da gestação nesses casos seja dificultada ou proibida no futuro, avaliam alguns deputados.

O projeto serve, sobretudo, como forma de a bancada religiosa marcar sua posição nesse debate. E pode ter impacto no descarte e no uso em pesquisas de embriões congelados.

O projeto foi relatado pelo deputado evangélico Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e é alavancado pelas bancadas religiosas do Congresso. Por outro lado, encontra resistência da bancada do PT e da SPM (Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República).

"Se temos a compreensão que a vida começa na concepção, o princípio da proteção integral deve se estabelecer já concepção do ser humano", defendeu o deputado evangélico João Campos (PSDB-GO).

O projeto segue agora para análise da Comissão de Constituição e Justiça e o plenário da Câmara e, se aprovado, vai ao Senado.

"Não digo que o texto acaba com o aborto legal, mas abre margem para o processo de criminalização. Na prática, além de conviver com a vergonha de ser violentada, a mulher vai ter dificuldade de exercer seus direitos", argumentou o deputado Cláudio Puty (PT-PA), que votou contrário ao parecer do relator.

Puty lembrou que o impacto maior seria sobre as mulheres, mas que a discussão era feita maciçamente por homens. "Nós homens, que não seremos estuprados nem teremos a capacidade de gerar vida, estamos decidindo por mulheres que terão como conseqüência a criminalização do ato de abortar em caso de estupro, hoje previsto na legislação. Não é ser a favor ou contra a vida, gera algo pouco civilizado."

Relator do texto, Cunha defendeu que o projeto não altera o Código Penal para excluir os casos de aborto legal, mas dá suporte a mulheres que quiserem ter o filho. "Aquela que não quer abortar deve ter o direito mínimo de subsistência. Uma coisa é autorizar o aborto, como a lei prevê, outra é levar a mulher ao aborto por não dar condições de sobrevivência."

Bolsa

Além de dar garantias ao bebê em gestação --inclusive aos embriões congelados--, o projeto define uma espécie de "bolsa" para a mulher vítima de estupro.

"Na hipótese de a mãe vítima de estupro não dispor de meios econômicos suficientes para cuidar da vida, da saúde do desenvolvimento e da educação da criança, o Estado arcará com os custos respectivos até que venha a ser identificado e responsabilizado por pensão o genitor ou venha a ser adotada a criança, se assim for da vontade da mãe", diz o projeto.

"É uma bolsa-estupro! Significa dizer: eu estou pagando pelo estupro que você sofreu!", protestou a deputada Erika Kokay (PT-DF).

Deputados contrários ao texto tentaram argumentar que, ao criar despesas de caráter continuado da forma genérica como está escrito, o projeto iria contra a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email
Adicionar como fonte preferida no Google

Últimas em Política

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV