Política

Serra afirma que MG está no seu 'coração'

Da Redação ·
Serra evitou novamente comentar as pesquisas de intenção de voto
fonte: Agências
Serra evitou novamente comentar as pesquisas de intenção de voto

No seu primeiro compromisso da visita a Belo Horizonte, o pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, aproveitou para fazer um afago ao eleitorado mineiro, prometendo empenho, se eleito, na realização de obras de infraestrutura no Estado. Serra, em entrevista à rádio Itatiaia, disse que compreende a frustração no segundo colégio eleitoral do País pelo fato de o ex-governador Aécio Neves ter sido preterido na disputa pela indicação como presidenciável tucano. Evitando a pecha de representante de São Paulo, o ex-governador disse que é um "político nacional", mas que Minas vai estar no seu "coração".

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"Eu sou um político nacional, que nasceu em São Paulo, que gosta da sua terra e que gosta do Brasil. Portanto, Minas, comigo, vai estar no coração. No coração e na cabeça, para governar e para fazer".

Serra disse que não tem dúvidas do apoio de Aécio à sua candidatura, afirmando que mantém uma parceria com o mineiro é desde a Costituinte. "Nós começamos isso juntos e vamos tocar juntos".

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Mais uma vez, o pré-candidato disse que respeita a decisão do ex-governador de Minas de concorrer ao Senado e afirmou que o candidato a vice em sua chapa será definido em maio ou junho. Na entrevista, Serra reiterou a defesa do fim da reeleição e da adoção de um mandato de cinco anos. Ele disse que a proposta fará parte de seu projeto de reforma política que pretende enviar ao Congresso caso seja eleito.

Questionado sobre a possibilidade deu um movimento "Dilmasia" em Minas, a exemplo do Lulécio - voto simultâneo em Lula para presidente e Aécio para governador, que marcou as eleições de 2006 no Estado - o tucano desconversou. Em entrevista à mesma rádio, no dia último dia 07, a pré-candidata à Presidência da República pelo PT, Dilma Rousseff, admitiu a hipótese de o eleitorado mineiro optar por votar nos candidatos apoiados por Lula, no plano federal, e Aécio no plano estadual - no caso o atual governador e pré-candidato do PSDB na sucessão estadual, Antonio Anastasia.

"Acho só que o nome Dilmasia lembra doença", disse, rejeitando também o "Anastadilma", sugerido peça pré-candidata petista e o "Serrélio", do qual falou o ex-ministro e pré-candidato do PMDB ao governo de Minas, Hélio Costa.

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Serra disse que até se dá bem com Costa, mas nessas coisas de casamento, defende a "monogamia". "Em política eu trabalho assim. A minha ligação é infinita, não tem essas ambiguidades. Não defendo a poligamia. Às vezes há tentações, mas eu sou muito firme nisso".

Obras

Perguntado se daria continuidade ao PAC, o pré-candidato tucano classificou o programa como "uma lista de obras" e aproveitou para citar compromisso de sua candidatura com os investimentos reivindicados por Minas. Citou a ampliação do metrô de Belo Horizonte; a ampliação do o Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, que já opera no limite de sua capacidade; a recuperação do Anel Rodoviário da capital; a duplicação da BR 381, no sentido Belo Horizonte-Vitória, até Governador Valadares. A relação faz parte de um documento elaborado pelos PSDB-MG , que enumera projetos e obras consideradas prioritárias no Estado e será entregue a Serra para que conste da plataforma de governo do presidenciável.

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"Tudo isso tem de ser feito. Se está no PAC, não está no PAC, foi anotado ou não foi anotado, o fato é que não se avançou para Minas se desenvolver mais. Minas tem a vocação, olha, vou falar aqui com todo o realismo, de ser o estado mais desenvolvido do Brasil", disse. "Vamos ser realistas, a maior parte não foi feita. As obras a gente tem que definir, tocar e fazer acontecer".

Funasa

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Na entrevista à Itatiaia, Serra evitou novamente comentar as pesquisas de intenção de voto e disse que a campanha só começará de fato após a Copa do Mundo. Ele mesclou críticas e elogios ao governo Lula. Disse que se eleito pretende manter o diálogo com o atual presidente e que nunca irá "tratar a oposição como inimigo".

Ex-ministro da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso, Serra atacou, porém, a gestão da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). "Que hoje acabou, loteada pelo empreguismo, pelo troca troca, por denúncia de corrupção", disse, isentando, porém, o atual ministro, José Gomes Temporão, que classificou como uma "pessoa decente".

MST

Em relação ao Movimento dos Sem-Terra (MST), disse que se trata de um movimento político, "que foge da linha democrática dos movimentos políticos no Brasil". "E a reforma agrária acaba virando um pretexto. Essa é que a realidade. É um movimento político que não é fanático da democracia representativa e do estado de direito", disse. "Eu sou a favor da reforma agrária e mais ainda, sou a favor de dar produtividade aos assentamentos da reforma agrária".

Em Belo Horizonte, Serra participa ainda de uma reunião com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado (Fiemg) junto com Aécio. Depois, o pré-candidato do PSDB participa de um encontro com prefeitos, vices e parlamentares de Minas. Além do ex-governador Aécio, participa do evento também o governador Antonio Anastasia, pré-candidato do PSDB ao governo do Estado.