Política

Pesquisas divergem na corrida entre Serra e Dilma

Da Redação ·

A primeira pesquisa Datafolha feita após o lançamento do ex-governador paulista José Serra (PSDB) como pré-candidato à Presidência mostra o tucano com 38% das intenções de voto, à frente da petista Dilma Rousseff, com 28%. O levantamento registra um empate técnico entre Marina Silva (10%), do PV, e Ciro Gomes (9%), do PSB.

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Os números do Datafolha divergem da última pesquisa do Instituto Sensus, divulgada terça-feira (12), encomendada pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Construção Pesada de São Paulo (Sintrapav), que apontou empate na corrida presidencial entre Serra (32,7%) e Dilma (32,4%). Foi o resultado mais apertado já obtido.

Em relação à pesquisa anterior do Datafolha, feita no final de março, Serra e Dilma oscilaram para cima, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. O tucano tinha 36% e a petista, 27%. Em fevereiro, logo depois do evento de lançamento da pré-candidatura de Dilma, apenas quatro pontos separavam os dois (32% a 28%).

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A novidade foi o avanço de Marina Silva, do PV, que subiu dois pontos percentuais em relação ao mês passado, atingindo 10%, ao passo que Ciro Gomes (PSB), que tinha 11% na pesquisa anterior, caiu para 9%. É a primeira vez que Marina ultrapassa Ciro, embora as variações na pontuação de ambos também estejam dentro da margem de erro.

Realizado nos dias 15 e 16, esse foi o primeiro levantamento do Datafolha depois da grande festa, realizada no final de semana passado em Brasília, que marcou o lançamento oficial de Serra como pré-candidato do PSDB.

Ciro Gomes tem oscilado dentro da margem de erro, mas a tendência de longo prazo é de queda: passou de 13% em dezembro para 9% em abril. Ciro não tem aparecido em público e, pela internet, reclamou de seu próprio partido, cujos líderes não se definem entre a candidatura própria e o apoio a Dilma.

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Em um cenário sem Ciro na lista de candidatos, a vantagem de Serra sobre Dilma passa a ser de 12 pontos. Ele aparece com 42%, o mesmo que a soma dos índices da petista (30%) e de Marina (12%). A eleição é definida em um único turno quando um candidato tem mais votos que os dos adversários somados.

Em um eventual segundo turno entre os representantes do PSDB e do PT, o primeiro venceria por 50% a 40% caso a eleição fosse hoje.

Espontânea revela desinformação

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A pesquisa espontânea, na qual os entrevistados indicam suas preferências sem ler a lista de candidatos, revela alto grau de desinformação: 54% não sabem em quem votar. Dilma e Serra aparecem com 13% e 12%, respectivamente. Também são citados o próprio presidente Lula (7%), o “candidato do presidente Lula” (3%) e o “candidato do PT” (1%).

Do total de eleitores, 14% dizem que votarão no candidato apoiado pelo presidente, mas não optam por Dilma nem sabem quem ela é.
O desempenho do presidente é aprovado por 73% dos entrevistados, segundo o Datafolha. Em março, eram 76% os que consideravam o governo ótimo ou bom.

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Os números do Datafolha foram divulgados no momento em que o PSDB promove uma ofensiva contra o Instituto Sensus, por suspeita de manipulação de resultados. Em pesquisa encomendada por um sindicato ligado à Força Sindical, que apoia Dilma, a petista apareceu empatada com Serra. A Justiça Eleitoral permitiu que técnicos tucanos tivessem acesso aos 2 mil questionários preenchidos pelos entrevistadores do Sensus. O instituto nega irregularidades.

Na sexta-feria, em Belo Horizonte, pela manhã, Fabrizio Martins Tavoni, um cientista político contratado pelo PSDB foi até à sede do Instituto Sensus, com a autorização do TSE, mas foi impedido de entrar. Somente às 16 horas o PSDB e representantes do PT tiveram acesso aos 2 mil formulários de entrevistas.

Datafolha diverge ainda da Vox e Ibope

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A pesquisa Datafolha diverge também as últimas pesquisas dos institutos Vox Populi e Ibope. A do Vox Populi, realizada entre 30 e 31 de março, mostra também empate técnico entre Serra (34%). e Dilma (31%), já que a margem de erro é de 2,2 pontos percentuais. Já a última pesquisa Ibope, realizada entre 6 a 10 de março, aponta Serra com 35% e Dilma com 30%, uma vantagem apertada, tendo em vista a margem de erro, de dois pontos percentuais.

O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), disse ontem que Serra tem condições de ampliar a vantagem sobre a candidata do Palácio do Planalto. “Dilma chegou ao limite dela como candidata ancorada à máquina do Governo”, afirmou Agripino, se referindo aos 27% obtidos na pesquisa anterior.

Apesar da desvantagem de dez pontos porcentuais, o deputado Henrique Fontana (PT-RS), ex-líder do Governo na Câmara, disse que o resultado da pesquisa não altera o rumo da campanha petista. “Temos um sinal claro de que a maioria da população quer a continuidade”, disse.

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Avaliação positiva de Lula é de 73%

A popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue em alta neste seu último ano de governo, de acordo com o Datafolha.
Mesmo tendo declinado três pontos percentuais em relação à sondagem do final de março, a avaliação do desempenho do governo Lula é considerada ótima ou boa por 73% dos 2.600 entrevistados no levantamento do instituto, realizado entre os dias 14 e 15. A margem de erro é a mesma das intenções de voto a presidente, dois pontos percentuais.

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O percentual dos que consideram a gestão Lula regular manteve-se estável, do ponto de vista estatístico. Eram 20% dos entrevistados em março, passando a 22%. Mesmo comportamento dos que avaliam como ruim ou péssimo o governo, 5% agora ante 4% no mês passado.

De acordo com o Datafolha, Lula continua ostentando os maiores níveis de popularidade entre os presidente eleitos a partir de 1989. Seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2001) obteve 47% de avaliação boa e ótima em dezembro de 1996, seu melhor momento.

No segundo mandato, contudo, FH não conseguiu mais de 31% de aprovação.
Fernando Collor de Mello, que ocupou a Presidência de 1990 a 1992, teve 36% de aprovação como a melhor avaliação de sua gestão.

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Pelos números do Datafolha, Lula é o primeiro presidente eleito depois da redemocratização do país que atravessa seu último ano de mandato com a popularidade em alta. Desde o começo de 2008 o presidente desfruta de aprovação superior a 50%.

E desde dezembro do ano passado permanece acima dos 70%. De zero a dez, a nota média dos entrevistados pelo Datafolha para o governo Lula foi de 7,9 na sondagem da semana passada, e a mesma que obteve no final de março.
Retrata o momento, diz petista

PORTO ALEGRE - A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou ontem que não comentará a pesquisa Datafolha, na qual aparece com 28% das intenções de voto, contra 38% para o tucano José Serra. “Eu não comento pesquisa porque pesquisa é um retrato do momento”, disse ela, em uma rápida entrevista após uma plenária com movimentos sindicais, sociais e estudantis e políticos no centro de Porto Alegre.

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No encontro social, praticamente um comício, o MST esteve minimamente representado, apesar de este ser o mês de mobilização do Abril Vermelho. Dilma voltou a defender as conquistas do governo Lula na agricultura familiar, defendeu o diálogo permanente com todos os movimentos da sociedade e se recusou a comentar sua posição a respeito das novas invasões de terras.

“Nós somos o governo que mais contribuiu para a paz no campo. Não esperem de mim qualquer declaração do tipo prende e arrebenta porque vocês não vão ter”, disse ela, na entrevista

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Questionada sobre o discurso de seu adversário José Serra em viagem para o Nordeste, no qual afirmou que o Bolsa Família foi uma boa iniciativa e seria mantido em uma eventual gestão do PSDB, Dilma evitou polemizar, mas questionou a “mudança” da oposição.

“Não quero polemizar com ele, mas acho muito interessante esse novo estilo da oposição, de tentar passar por aquilo que não foi nos últimos sete anos e meio. Se apoiassem tanto o nosso governo, por que não apoiaram antes? Só isso que eu me pergunto.”

Dilma Rousseff voltou a repetir os bordões “lobos em pele de cordeiro” e “exterminadores de emprego” para se referir a seus adversários políticos nesta disputa presidencial. De acordo com a pré-candidata do PT, os tucanos não podem se apropriar dos avanços da gestão de Luiz Inácio Lula da Silva, porque eram uma oposição “feroz”.

Sem citar José Serra, ela fez alusão ao recente giro do tucano no Nordeste, onde apoiou o Bolsa Família, e lembrou à oposição que elogios às obras de integração da Bacia do São Francisco são elogios ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

“O país mudou porque nós construímos um novo país, que, para o mundo inteiro, anda com cabeça erguida e é respeitado. Esses que querem passar como herdeiros do legado do presidente Lula, até ontem eram a oposição mais feroz e destrutiva, que foi contra o Bolsa Família, que disseram ser o ‘bolsa esmola’.
Recentemente, disseram que, se eles assumissem o governo, eles destruiriam o PAC 1. Esses que nos ridicularizavam , hoje saem por aí e dizem: ‘Somos a favor do Bolsa Família’, afirmou a pré-candidata do PT.

Ciro se diz injustiçado pelo PSB
Magoado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e na iminência de o PSB negar-lhe a candidatura à Presidência, Ciro Gomes decidiu mergulhar no isolamento. Há 20 dias, não fala com seus correligionários. O deputado se diz “injustiçado” pelo PSB, pelo PT e por Lula, que agiram para impedir alianças em torno de sua candidatura.

A gota d’água para a insatisfação de Ciro foi a visita da pré-candidata petista Dilma Rousseff ao Ceará, no início da semana passada. O Estado é o principal reduto eleitoral do socialista.

Coube à ex-mulher de Ciro Gomes, a senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), verbalizar a mágoa do deputado com o Governo. “Não havia necessidade de a Dilma ir lá nesse momento. Foi um desrespeito ao Ciro por tudo que ele sacrificou pelo governo Lula.”

Ciro sempre manifestou lealdade ao presidente Lula, lembra Patrícia. Transferiu seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, a pedido do presidente, com a finalidade de deixar uma porta aberta à possibilidade de disputar o Governo paulista com o apoio do PT.

Lideranças do PSB também acusam o Governo de intervir junto aos partidos para minar as alianças em torno do nome de Ciro. O partido chegou a oferecer a vice-presidência ao PP do senador Francisco Dornelles (RJ). Também conversaram com o PTB do ex-deputado Roberto Jefferson, aliado de Ciro nas eleições de 2002. O PTB optou, no entanto, pelo apoio à candidatura do tucano José Serra. “Não digo que teve uma interferência direta do presidente Lula. Mas o PT tem feito essa interferência não só no plano nacional como nos Estados.

O PT está usando sua força para nos isolar”, reclamou o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral. “De fato, a força do Governo impediu que o PSB pudesse conseguir alianças”, emendou o secretário-geral do partido, senador Renato Casagrande (ES).

Além da interferência nas possíveis alianças, Ciro Gomes também está decepcionado com a falta de qualquer gesto, pelo presidente Lula, de apreço político ou prestígio. Afinal, como o próprio Ciro gosta de lembrar, ele foi um dos mais fieis aliados de Lula na época do escândalo do mensalão. Mas, até agora, não há sinal do Palácio do Planalto de entendimento com o deputado em troca de sua desistência da candidatura presidencial.

De concreto, hoje, no Planalto, a situação é esta: o presidente não sabe o que fazer com o caso Ciro. Lula ainda não chamou Ciro para conversar porque não sabe como agir. O presidente, dizem seus assessores, achava que Ciro admitia sair do páreo quando combinou com ele a transferência do título para São Paulo - uma ideia que, no Planalto, é atribuída a lideranças do próprio PSB.