Política

Em 1995, FHC fez visita de Estado a Clinton um dia após atentado

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 20 de maio (Folhapress) - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) realizou uma visita de Estado a Washington entre os dias 20 e 22 de abril de 1995, sob a Presidência do democrata Bill Clinton (1995-2001).

A visita de Estado é a mais alta categoria diplomática concedida a governantes estrangeiros.

FHC e a mulher, Ruth Cardoso, que morreu em 2008, foram recebidos na Casa Branca por Clinton e a mulher, Hillary. Os brasileiros ficaram hospedados na parte doméstica do imóvel, que é ao mesmo tempo a residência oficial do presidente e a sede de governo dos EUA.

No mesmo dia, FHC e Clinton se reuniram no Salão Oval durante quase duas horas e, em seguida, concederam uma entrevista à mídia internacional no Jardim das Rosas, ao ar livre.

Na época, um dos principais pontos de atrito entre os dois presidentes era a aprovação da Lei de Patentes. Os EUA se diziam dispostos a aplicar sanções econômicas ao Brasil caso a aprovação não saísse. Questionados, os dois evitaram expor o racha, na entrevista. O projeto acabou aprovado, nos moldes em que queriam os EUA, em fevereiro de 1996.

FHC ainda repetiu a Clinton uma antiga, e ainda distante, demanda do Brasil: a da elevação do país ao status de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

Mais tarde, os dirigentes participaram de um jantar de gala que quase foi cancelado por causa da ocorrência, no dia anterior, do atentado a um prédio do governo americano em Oklahoma City que matou 168 pessoas. Clinton decidiu manter a festa para demonstrar que não se tornaria "refém do terrorismo".

Entre os cerca de cem convidados estavam a atriz Sonia Braga, o músico Mark Lambert, diversos congressistas e membros do ministério de Clinton. Após o jantar, todos ouviram os pianistas Ramsey Lewis e Billy Taylor interpretarem clássicos do jazz americano.

No dia seguinte, FHC participou de um café da manhã com vários integrantes do gabinete americano. Houve ainda encontros bilaterais entre os ministros brasileiros e seus colegas americanos da Fazenda, Justiça e das Relações Exteriores.

Naquele dia, FHC almoçou no Clube Nacional de Imprensa com cerca de 200 convidados, entre eles uns dos mais respeitados intelectuais dos EUA, embaixadores de quase todos os países da América Latina nos EUA e autoridades do governo Clinton.

O último compromisso da agenda do presidente foi uma recepção na embaixada brasileira. Na saída dos EUA, FHC afirmou ter considerado a visita "curta, profícua e eficiente".

No Brasil, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente do PT, disse que o seu rival tinha feito "papel de subalterno" na viagem e considerou "patético" o pedido de FHC para que os empresários americanos investissem no Brasil. "Esse não é o papel de um presidente da República que tem que defender a soberania da nossa nação", criticou Lula.
 

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