Política

Peemedebistas admitem problema em articulação política com o Planalto

Da Redação ·

BRASÍLIA, DF, 17 de maio (Folhapress) - Depois da batalha do governo no Congresso para aprovar a Medida Provisória dos Portos, integrantes do PMDB admitiram hoje problemas na interlocução entre o Palácio do Planalto e a sigla. Para o senador Romero Jucá (PMDB-RR), as ministras Gleisi Hofmann (Casa Civil) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais), responsáveis pela articulação política do governo, precisam ampliar o diálogo com o PMDB da Câmara depois da votação da MP dos Portos -para que a unidade da base de apoio da presidente Dilma Rousseff seja restabelecida. "Não conversei com ninguém do Planalto, mas a coordenação política do Planalto precisa trabalhar a base da Câmara, é importante fortalecer a união. Na política, há sempre disputa e posições políticas divergentes", afirmou. Sem o apoio de parte de seus aliados na Câmara, o governo sofreu conseguir aprovar a medida provisória a tempo de ela não perder a validade, o que aconteceria hoje. Para aprovar a medida, enviada em dezembro, o governo negociou a liberação R$ 1 bilhão em emendas parlamentares, prometeu cargos federais e pediu que sua tropa de choque no Congresso atropelasse os prazos normais para apreciação da matéria. Além disso, para aprová-la na Câmara após a obstrução dos opositores, o governo teve que ceder e aceitar alterações de modificação de texto propostas pelo PMDB, principal aliado da presidente Dilma no Congresso. Jucá disse que o diálogo poderá "reunificar a base e rearticular a união" das siglas que apoiam o governo na Câmara. Já o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou ver como "natural" a divergência entre correntes do PMDB e o governo. "O partido é muito grande, tem muitas correntes e é natural que as correntes divirjam entre si dentro do próprio partido, com o governo também. O fundamental é manter a coerência do apoio ao Brasil, não ter dúvida, não ter crise existencial. Está em jogo o interesse nacional, lá estará o PMDB majoritariamente a defendê-lo", afirmou. Mesmo admitindo as divergências, Renan minimizou os embates do partido com o PT e aliados na Câmara durante a votação. O senador afirmou que PT e PMDB vivem "o melhor momento da aliança política", apesar da nítida divergência demonstrada entre os deputados das siglas. "Do ponto de vista da aliança política, nós vivemos o melhor momento. O que importa é o resultado, é que o Congresso Nacional aprovou a medida provisória que moderniza os portos, era isso que a sociedade queria. A aliança está posta, consolidada, nós estamos vivendo do ponto de vista da aliança, um grande momento". Jucá também minimizou a divergência do PMDB da Câmara com o governo ao afirmar que o partido sai unido do episódio MP dos Portos. "Teve discussões na Câmara, mas o PMDB terminou marcando posição a favor e ajudando na aprovação da MP, haja visto o desempenho do presidente da Câmara, que é do PMDB, conduzindo sessões na madrugada, buscando entendimentos". Jucá afirmou que o PMDB foi "decisivo" para a aprovação da medida provisória também no Senado, com a condução da sessão por Renan a poucas horas da matéria perder a validade. A agilidade de Renan no comando do Senado permitiu que a MP não caducasse, com a quebra de prazos e o encerramento de discussões para acelerar o processo de votação. Vetos Para Jucá, o primeiro passo na retomada do diálogo do governo com o PMDB é a discussão sobre os vetos de Dilma à Medida Provisória dos Portos. O peemedebista defende "quanto menos veto, melhor" para evitar novas retaliações dos peemedebistas em votações na Câmara. O governo teve que ceder ao PMDB e incluir no texto mudanças sugeridas pelo partido, em especial pelo líder, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), para aprovar a matéria. Foram mais de 40 horas de discussões até que os deputados aprovassem a proposta. "Acho possível procurar entendimento. Cabe às ministras Gleisi e Ideli articularem junto com as lideranças no sentido de verificar tudo o que pode ser aproveitado nessa proposta. Quanto menos veto, melhor. Essa questão deve ser levada em conta", afirmou. Para Renan, a presidente tem o "direito constitucional" de impor vetos à MP, mas cabe ao Congresso colocá-los em votação depois de executados pelo Palácio do Planalto -em um recado de que o Legislativo poderá retomar o texto da MP aprovado ontem. "A Constituição garante a presidente fazer o veto que ela imaginar que deva fazer. Garante também ao Congresso Nacional apreciar esses vetos. Nós já fizemos isso em relação aos vetos do pré-sal", afirmou.  

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