Política

Júri de acusados de matar cinco sem-terra em MG é adiado novamente

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 13 de maio (Folhapress) - A Justiça de Minas Gerais adiou pela segunda vez neste ano o julgamento de dois dos 15 acusados de matar cinco integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e ferir outros 12 em Felisburgo (MG), em 2004.

O júri popular começaria na quarta-feira. Mas, o juiz Glauco Soares Fernandes, do 2º Tribunal do Júri de Belo Horizonte, anunciou hoje o novo adiamento.

O magistrado atendeu ao pedido do advogado dos réus, Antônio Patente, que irá representá-los amanhã numa audiência em que 60 testemunhas do crime devem ser ouvidas, em Jequitinhonha, a 729 quilômetros da capital.

A nova data do julgamento deve ser comunicada amanhã.

Adriano Chafik Luedy, acusado pelo crime, seria julgado nesta semana junto com um funcionário. Dos outros 12 réus, apenas três estavam prontos para ir a júri.

A reportagem não conseguiu hoje contatar os promotores responsáveis pelo caso.

O julgamento havia sido marcado inicialmente para 17 de janeiro, mas foi adiado porque o juiz da comarca local enviou o processo para Belo Horizonte antes que a defesa dos réus indicasse testemunhas a serem ouvidas no dia do julgamento.

A Promotoria solicitou a mudança do local de julgamento para evitar possível influência de Chafik sobre a Justiça da comarca de Jequitinhonha.

O caso

Em 20 de novembro de 2004, segundo a Promotoria, um grupo invadiu o acampamento Terra Prometida e atirou contra os sem-terra. Cinco morreram e 12 ficaram feridos. O acampamento ficava na fazenda Nova Alegria, invadida em 2002 pelo MST.

Luedy, dono da fazenda, foi preso e colocado em liberdade duas vezes, por decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Ele afirma que agiu em legítima defesa porque os sem-terra o atacaram.

Em 2009, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto de desapropriação de 1.182 hectares da fazenda Nova Alegria para fins de reforma agrária.

No entanto, até agora, o assentamento não foi efetivado por causa de uma ação movida por Chafik na Justiça, que impede a ação do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária).

O MST pretendia montar, a partir de amanhã, um acampamento com 2.000 trabalhadores rurais em frente ao fórum da capital mineira.

Os sem-terra também previam fazer uma marcha pelo centro de Belo Horizonte para pressionar os jurados a condenarem os réus por homicídio qualificado.

O movimento disse que ainda não há definição sobre a manutenção dos atos.
 

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