Política

PT e PMDB firmam acordo em Minas

Da Redação ·

Empenhados em evitar o divórcio antes mesmo do casamento de papel passado, dirigentes do PMDB e do PT acertaram um cronograma para resolver a crise em Minas Gerais. Apesar das estocadas de parte a parte, os dois partidos decidiram que haverá palanque único em Minas para a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.  

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O acordo de cavalheiros ocorreu na quarta-feira durante jantar na casa do presidente da Câmara, Michel Temer, que comanda o PMDB e é cotado para vice de Dilma. O PT já marcou prévia para 2 de maio entre o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, com o objetivo de escolher o candidato ao governo mineiro. Mesmo assim, o PMDB está confiante no acerto para pôr o senador Hélio Costa (MG) na cabeça da chapa.  

Ex-ministro das Comunicações, Costa chegou a ameaçar romper a aliança e apoiar o ex-governador de São Paulo, José Serra (PSDB), adversário de Dilma, caso o PT resolva desafiá-lo e lançar candidato próprio à sucessão do tucano Antonio Anastasia. "Querem brincar de Tiradentes com o meu pescoço", desabafou ele, na semana passada, quando o clima entre o PT e o PMDB azedou ainda mais.  

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Temer propôs que os caciques dos dois partidos aprovassem uma espécie de resolução, fixando o prazo de 10 de maio para o anúncio do acordo. O combinado foi que no dia 15, quando o PMDB fizer seu congresso nacional para reafirmar apoio a Dilma, não deverá restar qualquer aresta em Minas, o segundo maior colégio eleitoral do País, depois de São Paulo.  

Os convidados do jantar expuseram as divergências entre o PT e o PMDB em pelo menos dez Estados, mas o foco da conversa concentrou-se em Minas. "A crise é em Minas. Nos outros Estados, como Pará e Maranhão, temos problemas", resumiu o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que também participou do encontro.  

As cúpulas do PT e do PMDB vão se reunir com Costa e também com Pimentel e Patrus, logo depois da prévia, para acertar a composição da chapa à sucessão de Anastasia, aliado do ex-governador Aécio Neves (PSDB). O PMDB quer que Costa seja candidato ao governo e o PT indique o vice, ficando também com a vaga ao Senado.  

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Dirigentes do PMDB dizem que o PT precisa compor a chapa como vice para Costa não ser "cristianizado" na campanha. Em Minas, porém, o PT não admite abrir mão de candidato próprio e quer empurrar Costa para o Senado. "Estamos fazendo uma prévia para valer", reagiu Patrus. "Quem decide os assuntos do PT é o PT."  

Em tom mais diplomático, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, tentou apagar o novo foco de incêndio. "O importante é que teremos palanque único em Minas e estaremos juntos na campanha de Dilma", afirmou Dutra. "Haverá atenção especial em Minas porque é o vácuo político que permite o movimento Dilmasia", reforçou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, numa referência à associação do nome da ex-ministra com o sobrenome Anastasia.  

Dilma provocou mal-estar no PMDB, há nove dias, ao elogiar Aécio e admitir a possibilidade de o eleitor votar em uma dobradinha PT-PSDB para a Presidência e o governo mineiro, formando comitês "Dilmasia" ou "Anastadilma". "Do jeito que estão as coisas, os petistas estão construindo a vitória do Anastasia. Espero que eles não construam a derrota da Dilma", provocou Cunha.