Política

Justiça cassa o diploma do prefeito de Ivaiporã

Da Redação ·
Justiça cassa o diploma do prefeito de Ivaiporã, Carlos Gil
fonte: Arquivo
Justiça cassa o diploma do prefeito de Ivaiporã, Carlos Gil

A Justiça Eleitoral da Comarca de Ivaiporã julgou procedente a representação da Coligação “Renovação 2: Agora é Mais”, do candidato derrotado ex-prefeito Cyro Fernandes Correa Júnior (PT), e cassou os diplomas do prefeito local Luiz Carlos Gil (PMDB) e do vice Adail Rother Junior (PMDB), eleitos em outubro do ano passado pela coligação “Para Frente e Para Todos”.

De acordo com a juíza Juliano Trigo de Araújo, a cassação se deu em razão do uso indevido de Shopping Center como plataforma eleitoral, abuso de poder econômico decorrente da distribuição de combustível e de transporte de eleitores para comício, com ocultação dos gastos realizados para tanto. Além da cassação do diploma, a juíza decretou a inelegibilidade de Carlos Gil pelo prazo de oito anos e a realização de nova eleição no município. Já o vice-prefeito teve somente a cassação do diploma, não sendo afetado pela inelegibilidade.

À decisão da juíza cabe recurso e, enquanto isso, Carlos Gil poderá se manter no cargo até sentença transitada em julgado. Segundo a juíza Juliana, a decisão foi baseada nos elementos de prova que foram apresentados pelo autor. “Foi constatado o abuso de poder econômico, então com base nisso é que houve a decretação da cassação”, explica. A juíza diz ainda que por ora Carlos Gil permanece no cargo. “A decisão foi condicionada ao trânsito em julgado, ou seja, à análise definitiva do processo. Ele tem o recurso e pode fazer os pedidos de liminares, enfim, o que ele entender pertinente”, diz Juliana.

O prefeito Carlos Gil, que é presidente da Associação dos Municípios do Vale do Ivaí (Amuvi), estava ontem em Curitiba, tratando de interesses do município e da região junto ao governo do Estado, quando soube da sentença. Por telefone, ele revelou à Tribuna que ainda não tomou a decisão de recorrer da decisão. “Assim que retornar a Ivaiporã vou sentar com o meu grupo político e decidir o que fazer”, disse. “Num primeiro momento até pensei em não recorrer e abandonar tudo, mas é o grupo que vai decidir”, acrescentou.

Carlos Gil garantiu que não comprou votos, não distribuiu cestas básicas e que não cometeu qualquer irregularidade na campanha eleitoral. Ele salienta que seus votos foram conquistados no dia a dia, andando de casa em casa, de bairro em bairro, sempre preocupado em fazer uma campanha limpa. “Nunca abusei do poder econômico, ao contrário do Cyro, que abusou do poder público, portanto, gastando dinheiro do povo na campanha eleitoral”, afirmou. O prefeito observa ainda que as suas contas de campanha foram aprovadas pelo juiz da época. A juíza atual, segundo ele, não acompanhou as eleições, apenas fez julgamento do processo.

CYRO CONDENADO
Em março, a juíza substituta Karina de Azevedo também decretou a inelegibilidade do ex-prefeito de Ivaiporã, Cyro Fernandes, pelo período de 8 anos e ao pagamento de multa no valor de R$ 10 mil pela prática de abuso do poder político e condutas vedadas durante o período eleitoral. Em 2011, ainda no mandato de Cyro Fernandes, a Prefeitura de Ivaiporã pagou gratificações aos funcionários do município, em forma de TIDE (Trabalho Integral e Dedicação Exclusiva), no valor de R$ 524.208,50. Já, em 2012, durante o ano eleitoral, as gratificações subiram para R$ 942.048,84. A juíza entendeu que ficou configurado que Cyro Fernandes exerceu abuso de poder político, influindo decisivamente na normalidade do pleito eleitoral. Os advogados do ex-prefeito recorreram da decisão.

continua após publicidade