Política

Marcelo Rubens Paiva quer que governo de SP peça desculpas por assessor

Da Redação ·

Por Patrícia Britto SÃO PAULO, SP, 3 de abril (Folhapress) - O escritor Marcelo Rubens Paiva, 53, disse hoje que espera um pedido de desculpas do governo de São Paulo pela participação do assessor Ricardo Salles em evento que marcou, na última segunda-feira, a publicação na internet de documentos do extinto Dops, um dos órgãos da repressão durante a ditadura militar (1964-1985). Nomeado como secretário particular do governador Geraldo Alckmin (PSDB), Salles é um dos fundadores do movimento "Endireita Brasil" e já criticou publicamente os militantes que lutaram contra a ditadura no país. Marcelo criticou em seu blog pessoal uma frase atribuída a Salles, em que o assessor teria dito: "Não vamos ver generais e coronéis acima dos 80 anos presos por crimes de 64, se é que esses crimes ocorreram". Filho do deputado federal cassado pela ditadura Rubens Paiva, Marcelo tinha 11 anos quando viu agentes da Aeronáutica invadirem sua casa, em 1971, e levarem seu pai para depor no extinto DOI-Codi, no Rio de Janeiro. Desde então, Paiva nunca mais foi visto por seus familiares. "Está uma palhaçada a reação da direita em relação à forma como eles defendem a ditadura. A minha família se sente completamente ultrajada", disse o escritor. Marcelo também criticou o fato de o governo manter o assessor em seu quadro de funcionários. "Eu quero que o Alckmin me peça desculpas, pela história do partido que ele representa, um partido que foi fundado por pessoas que foram perseguidas pela ditadura", disse, em referência ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ao ex-governador José Serra. "Ele [Alckmin] é o governador do Estado de São Paulo, não pode ser aliado a esse grupo bizarro", acrescentou. Salles já publicou em seu blog textos e vídeos em que acusa o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de promover uma revanche contra militares após levar "terroristas" ao "poder". Em um dos vídeos, publicado em 2010, diz: "Esses que estão no poder, que no passado assaltaram, sequestraram, mataram pessoas na tentativa de instaurar uma ditadura de esquerda, querem o revanchismo." "Não podemos permitir que essas pessoas tentem fraudar a história [...] para premiar os terroristas de ontem que hoje estão no poder", diz em outro trecho do vídeo. Procurada, a assessoria de imprensa do governo de São Paulo não se manifestou até a publicação desta notícia.  

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