Política

Ética é obrigação de todos nós, diz Renan Calheiros

Da Redação ·

Por Gabriela Guerreiro, Andreza Matais e Erich Decat BRASÍLIA, DF, 1 de fevereiro (Folhapress) - Candidato favorito à Presidência do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) discursou para defender sua candidatura na sessão que vai definir o novo comando da Casa sem fazer qualquer menção às denúncias que o levaram a renunciar ao cargo em 2007. Renan disse apenas ser "legítimo" aos senadores falar sobre ética, num recado aos "independentes" que criticaram sua indicação para Presidência. "A ética não é objetivo em si mesmo. O objetivo em si mesmo é o Brasil, o interesse nacional. A ética é meio, não é fim. É obrigação de todos nós, responsabilidade de todos nós e dever desse Senado Federal", afirmou. Ao falar sobre ética, Renan mencionou o nome do senador João Capiberipe (PSB-AP) - num recado ao colega que assumiu o mandato apenas ano passado depois de ter sido enquadrado na lei da ficha-limpa. Capiberipe foi um dos "independentes" que discursou contra Renan. Apenas ele e o senador Pedro Simon (PMDB-RS) citaram o nome do candidato do PMDB. Capiberibe leu, no plenário, trechos do editorial da Folha publicado nesta sexta-feira com críticas à eleição de Renan. "Não bastasse o longo currículo de Calheiros, o bom senso bastaria para vetar sua indicação", disse o senador ao citar trecho do editorial. Renan disse que seria "injusto" à Casa falar em ética depois que o Senado aprovou "de forma célere, como nunca se aprovou outra matéria", o projeto da ficha-limpa. "Isso demonstra que esse é compromisso de todos nós", afirmou. Renan é alvo de denúncia do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que o acusa de três crimes: falsidade ideológica, uso de documentos falsos e peculato. Em 2007, Renan tornou-se suspeito de pagar despesas pessoais com dinheiro de Cláudio Gontijo, que trabalha para a empreiteira Mendes Júnior. Para justificar que tinha renda para fazer os pagamentos, Renan apresentou documentos e afirmou que tinha ganhos com a venda de gado. O senador pagava uma pensão mensal à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha. Na época, renunciou à Presidência do Senado para escapar da cassação. Foi absolvido pelo plenário por duas vezes e manteve o mandato. Plataforma Em discurso de 20 minutos, do qual dedicou menos de três para falar de ética, Renan apresentou sua plataforma de trabalhos dividida em "quatro eixos" se for eleito presidente da Casa. O peemedebista anunciou a criação da Secretaria de Transparência no Senado, como havia antecipado em entrevista à Folha de S.Paulo. "A arrojada arquitetura de Niemeyer presente nos três palácio dos Poderes da República é marcada pela transparência de seus vidros. Isso tem simbologia expressiva." Também prometeu aprofundar as "reformas e modernização" conduzidas pelo senador José Sarney (PMDB-AP) na Presidência do Senado. "A gestão deve ser pautada nos princípios de transparência ampla, com foco no controle e prestação de contas, racionalidade administrativa para aumentar a eficiência e reduzir a despesa pública", afirmou.  

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