Política

Para presidente da Câmara, não há motivo para Lula ser investigado

Da Redação ·

Por Erich Decat BRASÍLIA, DF, 11 de dezembro (Folhapress) - O presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT-RS), afirmou hoje que não há necessidade de se investigar o suposto envolvimento do ex-presidente Lula com o esquema do mensalão operado pelo empresário Marcos Valério. Valério afirmou à Procuradoria-Geral da República que pagou despesas pessoais de Lula em 2003, por meio de depósitos na conta de uma empresa do ex-assessor pessoal de Lula, Freud Godoy, segundo revelou o jornal "O Estado de S. Paulo". "Não é uma afirmação que mereça crédito, mereça consideração ou sequer investigação, eu acho que deve ser mandada para arquivo porque não merece, efetivamente, nenhum tipo de consideração", disse Marco Maia. O petista considerou o depoimento de Valério como um "jus sperniandi". No julgamento do mensalão pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o empresário foi condenado a 40 anos, 4 meses e 6 dias de prisão, além do pagamento de R$ 2,7 milhões em multa. Marco Maia indagou ainda porque os novos fatos narrados por Valério não apareceram durante as investigações que culminaram no processo do mensalão julgado pelo STF "Como é que isso não apareceu antes? Informações dessa natureza certamente não estariam escondidas no processo de investigação tão árduo, tão duro como foi feito durante a CPI do Mensalão", disse. "É uma declaração desiquilibrada, descontextualizada, que vem oito anos depois do processo iniciado, que me parece muito mais uma tentativa de confundir o processo já em andamento, já julgado", acrescentou. As declarações do presidente da Câmara se chocam com a do presidente do STF, Joaquim Barbosa, que defendeu, que defendeu que Ministério Público Federal investigue o suposto envolvimento do ex-presidente Lula com o esquema operado pelo empresário. Sem dar detalhes do conteúdo, Barbosa disse que teve "conhecimento oficioso" (fora dos autos) do novo depoimento prestado por Valério ao Ministério Público Federal, em setembro,. Ao longo de mais de quatro meses de julgamento, o STF definiu que o mensalão foi um esquema de desvio de recursos públicos e empréstimos fictícios para a compra de apoio de político no Congresso no início do governo Lula (2003-2010). Dos 37 acusados, 25 foram condenados por crimes como corrupção, peculato, lavagem de dinheiro, entre eles o ex-ministro José Dirceu, homem forte do governo Lula. e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. ] As falas de Valério foram recebidas com cautela pelo Ministério Público Federal, uma vez que a declaração poderia ser uma movimentação para se livrar da condenação. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, já chegou a chamar o empresário de "jogador".  

continua após publicidade