Política

Arcebispo volta a criticar igrejas usadas como "currais eleitorais"

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 20 de setembro (Folhapress) - Em debate entre os candidatos a prefeito de São Paulo, o arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Scherer, voltou a criticar as igrejas que são transformadas, segundo ele, em "currais" e "cabrestos" eleitorais.

"Esse poder de fazer a propaganda e de fazer a mobilização de algum candidato cabe especificamente aos cristãos leigos dentro da igreja", disse o cardeal.

Sua fala seguiu o tom do texto divulgado no domingo em que fez críticas veladas ao candidato Celso Russomanno (PRB).

Líder nas pesquisas, Russomanno não foi ao debate que acontece hoje. Ele alegou que só iria caso fosse recebido antes pelo cardeal para discutir a polêmica com a Igreja Católica, o que não aconteceu.

De acordo com dom Odilo, a igreja tem procurado manter uma posição coerente no processo eleitoral, sem indicar um candidato especifico. "Entretanto, [a arquidiocese] também deu orientações e critérios sobre a participação dos fiéis leigos."

Para ele, o uso da religião na política "poderia deixar divisões e feridas dificilmente cicatrizáveis no seio das religiões e das comunidades religiosas".

No domingo, dom Odilo Scherer orientou os padres de 300 paróquias sob seu comando a ler na missa o texto com as críticas.

Dias antes, a arquidiocese havia divulgado uma nota rebatendo o presidente da sigla, Marcos Pereira, que é bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus.

Os textos foram uma resposta a artigo de Pereira, ligando a igreja ao chamado "kit gay", de cartilhas anti-homofobia.

No início do debate de hoje, o cardeal evitou criticar Russomanno pela falta. Ele disse apenas que foram convidados os cinco candidatos mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais, "sem distinção de partido".

Participam do debate os candidatos José Serra (PSDB), Fernando Haddad (PT), Gabriel Chalita (PMDB) e Soninha Francine (PPS).

Na primeira parte do evento os candidatos não comentaram a ausência de Russomanno. O debate também foi marcado interrupções da fala dos candidatos por problema no marcador de tempo.
 

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