Política

Ao contrário de Aécio, candidato do PSB evita criticar Dilma

Da Redação ·

Por Paulo Peixoto BELO HORIZONTE, MG, 19 de setembro (Folhapress) - A presidente Dilma Rousseff se tornou alvo do senador Aécio Neves (PSDB) na campanha eleitoral de Belo Horizonte, após empenhar apoio e passar à condição de estrela da propaganda eleitoral da candidatura de Patrus Ananias (PT). O senador tucano tem atacado mais a presidente nos últimos dias, enquanto o prefeito Marcio Lacerda (PSB), a quem Aécio afiançou apoio político, procura poupar Dilma da acirrada disputa eleitoral. Nos últimos dois dias, dois fatos chamaram a atenção: o discurso político de Aécio e a propaganda eleitoral de Lacerda. No primeiro caso, Aécio disse que a presidente "maltratou" Minas ao vetar o aumento dos royalties da mineração, o que impediu que o Estado arrecadasse mais recursos das mineradoras. E cobrou a realização de obras federais, como metrô, rodoanel e duplicação de rodovias. No segundo caso, uma inserção de Lacerda na propaganda eleitoral afirmou que os recursos têm chegado a BH, fato relacionado pela campanha à capacidade gerencial do prefeito. "Na política antiga, os recursos eram tratados como se fossem desse ou daquele governo. Graças a Deus isso mudou. Hoje, são os bons projetos que garantem recursos para as obras e para os programas sociais. Por isso BH tem avançado tanto", diz o prefeito. Aécio é um potencial adversário de Dilma na disputa presidencial de 2014. Por isso ele busca marcar posição e tem viajado o país com tal propósito, de preferência a locais onde os seus aliados locais estão bem posicionados nas pesquisas e têm como rival um petista. O prefeito, por sua vez, se for reeleito, vai continuar dependendo dos recursos da União para implementar os seus projetos. Passada a eleição, a expectativa de Lacerda é que a poeira abaixe e a boa convivência administrativa seja retomada. Contudo, ele já criticou e cobrou mais recursos do governo, especialmente para o metrô. Lacerda tenta se controlar, mas às vezes também vai ao ataque, como ao comentar o Bolsa Família. Na ocasião, definiu o programa do governo federal como "uma esmola, uma ajudazinha em dinheiro". Contraofensiva Enquanto isso, Patrus tenta reduzir o efeito do discurso de Lacerda e se apega exatamente à questão dos projetos. Segundo ele, os recursos federais em BH só não maiores porque falta agilidade e projetos da prefeitura. "Falta atitude mais enérgica, de liderança do prefeito de BH para buscar esses recursos, fazer projetos. Recursos e boa vontade por parte do governo federal não faltam", disse o petista hoje. "Mesmo sendo governo de oposição na cidade e no Estado, o governo da presidente não faz discriminação, os recursos estão aí nas obras e poderiam ser mais aproveitados. Às vezes, os recursos não vêm porque faltam projetos." Patrus evita revidar os ataques de Aécio. Sobre os royalties da mineração, defendeu Dilma dizendo que a questão será melhor tratada na discussão do marco regulatório e que o veto desta semana se deu por um pedido das associações dos municípios mineradores de Minas e do Brasil.  

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