Política

FHC diz que Serra é a "recuperação moral" da política

Da Redação ·





Por Daniela Lima

SÃO PAULO, SP, 18 de setembro (Folhapress) - Em ato hoje com artistas e intelectuais, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) fez um discurso repleto de ataques velados ao mensalão e à corrupção no Brasil para defender a candidatura de José Serra (PSDB) à Prefeitura de São Paulo como sinônimo de "recuperação da moral" na política.

"Serra é o candidato que representa um reencontro do Brasil com a sua história de luta pela democracia. Uma democracia que não é para favorecer a corrupção, mas para favorecer a cidadania", disse o ex-presidente.

Participaram do encontro, em uma sala de cinema na avenida Paulista, reitores de universidades, atores, historiadores e integrantes do governo FHC.

"Não é difícil perceber que vivemos hoje um desses momentos de densidade histórica. Depois de vários anos que o Brasil conquistou a democracia, conseguiu avanços econômicos e avanços socias, essa mesma democracia começa a ser minada por dentro pela falta de crença nela", afirmou o ex-presidente, no início de sua fala.

"E a falta de crença advém da decepção que existe no país de práticas correntes e recorrentes na política. Não preciso me referir a quais", completou.

"O momento vai além do banal, além do usual. Mas nós temos, ao mesmo tempo, uma possibilidade de recuperação. É também o momento da recuperação moral. Isso tem que ser dito", concluiu.

FHC chamou os participantes a "irem a luta" pela eleição de Serra. O candidato tucano falou depois do ex-presidente. Apresentou um relato do que fez como prefeito e governador e enfatizou que "infelizmente as outras opções [de candidatos] com viabilidade que se apresentam são opções da desarrumação da cidade de uma maneira dramática".

"Em grande medida, minha decisão [de ser candidato] foi tomada pela responsabilidade. E também por gosto, por prazer. E quanto mais difícil as coisas são, mais tentação eu tenho", afirmou.

Serra aparece nas pesquisas de intenção de voto em segundo lugar, atrás de Celso Russomanno [PRB], e empatado tecnicamente com Fernando Haddad (PT).

O candidato citou o mensalão, mas não vinculou o caso à candidatura de Haddad, como tem feito em sua propaganda eleitoral.

"Essa questão desse julgamento é uma mudança no Brasil, é o começo do fim da impunidade. Isso vai condicionar todo o sistema de Justiça no Brasil", afirmou.

Serra confessou ainda ter sido "supreendente" ver o caso se desenrolar no STF (Supremo Tribunal Federal). "Nós estamos vendo virtudes saírem de onde não se esperava. Não se esperava que a coisa chegasse a esse ponto em matéria de ação do Judiciário. E isso é positivo. Temos que voltar a valorizar a ética, a moral, um mínimo de decência na política", finalizou.
 

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