Política

Relator diz que não houve acordo político entre PP e PT

Da Redação ·

BRASÍLIA, DF, 17 de setembro (Folhapress) - O relator do mensalão no STF (Supremo Tribunal FederaL), ministro Joaquim Barbosa, afirmou hoje que o PP não fez aliança política com o PT no início do governo Lula (2003-2010). Segundo o ministro, em 2003, o PP só se alinhou com o PT após uma negociação em torno de repasses financeiros. De acordo com a denúncia do Ministério Público, PP teria recebido R$ 2,9 milhões. Foram denunciados o deputado Pedro Henry (PP-MT), o ex-deputado Pedro Corrêa (PP) e o ex-assessor João Cláudio Genu. Barbosa ainda não concluiu seu voto. A sessão foi suspensa e será retomada após intervalo. "Não houve aliança política [entre PP e PT]. Os dois partidos eram antípodas, eram opositores, sempre foram. Podem-se dizer ideologicamente, se é que pode dizer que haja essa característica [entre os partidos]", disse. Segundo Barbosa, os autos comprovam que no início de 2003, o PP não pertencia à base aliada do governo Lula. "Naquele momento inicial das atividades, antes portanto das negociações com o PT, o PP fazia oposição. Somente em meados de 2003 é que o PP começou a seguir orientação do governo na Câmara", disse. "Não havia qualquer razão para esse auxílio financeiro do PT ao PP." Para o ministro, após o acordo, Henry fez o trabalho de convencimento à bancada para votar com o governo. "Independente do destino dado ao dinheiro, as provas conduzem a que os réus receberam dinheiro em troca de fidelidade em votações de interesse de seu partido, do PT na Câmara", disse. Comprovado Antes de ler seu voto sobre o PP, Barbosa afirmou que "não há qualquer dúvida de compra de votos a essa altura do julgamento". Ele disse ainda que a revelação do mensalão feita por Roberto Jefferson, em 2007, estava distante de "mera vingança política". Barbosa rabateu a tese da defesa de que ocorreu caixa dois de campanha e não compra de voto. "Essa versão [caixa dois] não interfere na caracterização [do crime] já que ajuda de campanha também configura vantagem indevida por influência em atos de interesse dos corruptores", disse.  

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