Política

Serra critica adversários, diz que não é "guru" de Kassab e chora

Da Redação ·





SÃO PAULO, SP, 14 de setembro (Folhapress) - Em sabatina promovida pela Folha de S.Paulo em parceria com o UOL, o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, criticou os adversários, em especial o petista Fernando Haddad, afirmou que não é o "guru" do prefeito Gilberto Kassab e chorou ao lembrar da mãe.

Diferentemente de Haddad, a quem fez diversas críticas, Serra evitou fazer ataques mais duros ao líder das pesquisas Celso Russomanno (PRB).

"Eu não sei qual é o programa do Russomanno", justificou para dizer porque não ataca o candidato do PRB.

Ele disse que não faz sentido a proposta de Russomanno para contratar 20 mil guardas municipais. "Isso custaria mais R$ 1 bilhão e levaria mais de sete anos para finalizar o processo."

Na sabatina, o tucano chorou ao lembrar que o bispo de Santo Amaro, dom Fernando Antônio Figueiredo, visitou sua mãe quando ela estava perto da morte. Serafina morreu em 2007 aos 86 anos. "Ele fez isso sem saber que era a mãe do governador."

Sobre a aproximação com os evangélicos, Serra disse que tem conversado com diversas comunidades. "Os evangélicos são uma parte importante da cidade."

Haddad

Sobre a troca de ataques com o petista Fernando Haddad, o tucano disse que faz uma campanha propositiva e disse que não acompanha as propagandas eleitorais.

"Não é apropriado para mim, como candidato, virar cronista do processo eleitoral."

Segundo ele, seu adversário na disputa Fernando Haddad (PT) tem como "guru" o ex-ministro José Dirceu, réu no processo do mensalão.

"Por que o candidato fica tão ofendido?", questionou o tucano, que nesta semana levou à TV propaganda eleitoral que liga o petista aos réus no processo julgado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

"Nada mais natural que gente como o Dirceu, o Delúbio, o João Paulo [réus no mensalão] vão influenciar [uma eventual gestão petista em São Paulo]", disse o tucano.

Sobre a aliança com o PR de Valdemar Costa Neto, também réu no mensalão, Serra afirmou que o apoio da sigla não cria embaraço na sua campanha e lembrou que o verdadeiro responsável pelo mensalão é o PT.

O candidato ainda negou ser um candidato conservador e atacou o PT, que, segundo ele, é o que há de mais "conservador e reacionário" no país.

Rejeição

Com 46% de rejeição entre os eleitores de São Paulo, segundo o levantamento do Datafolha divulgado no último dia 12, Serra atribuiu o índice à polarização com o PT nas eleições para presidente em 2010 e para o governo estadual em 2006.

Para ele, é natural que o eleitorado do PT tenda a rejeitá-lo. Ele, porém, questionou a metodologia das pesquisas.

"Esse dado de rejeição não é um dado relevante. Tem que ver a metodologia [dos institutos]", afirmou o tucano.

"O eleitorado que tem preferência pelo PT tende a optar por não votar [em mim], é isso", afirmou.

Pedágio urbano

O candidato do PSDB disse que é contra a instalação de pedágio urbano na cidade e do aumento do rodízio de automóveis.

"Você não tem um sistema de transporte à altura. Vai ser um suicídio", afirmou Serra. "Você só pode pensar em pedágio urbano ou restrição maior aos automóveis do que já existe hoje quando você tiver um sistema bom de transporte público", completou.

O candidato defendeu obras na área de transporte que fez durante sua gestão no governo de São Paulo, como a Nova Marginal e o Rodoanel.

De acordo com ele, São Paulo tem duas "prefeituras": a municipal e estadual. "O governo de São Paulo é crucial para a cidade", disse.

Serra afirmou ainda que não pretende acabar com a inspeção veicular e quebrar o contrato com a Controlar, empresa responsável pelo serviço na cidade. "Não vou chegar lá e interromper o serviço porque alguém disse que tem um problema."

O tucano também defendeu as parcerias público-privadas na área da sáude. Ele prometeu ainda criticar uma coordenadoria para fiscalizar esses contratos.

Segundo Serra, na área da cultura seria possível a criação de paceiras como essas. "As organizações sociais dão mais flexibilidade."

Kassab

A respeito do seu ex-vice e atual prefeito da cidade, Gilberto Kassab (PSD), Serra disse considerar boa a gestão do aliado, que o sucedeu no cargo.

Pesquisa Datafolha divulgada no dia 5 mostrou que a proporção dos eleitores que consideram ruim ou péssima a gestão de Kassab saltou de 36% para 48%. O índice representa o recorde negativo de toda a administração do prefeito.

Embora tenha sido o responsável por colocar Kassab na prefeitura, quando deixou a gestão, em 2006, Serra afirmou durante a sabatina que não é "guru" do prefeito e não tem relação de "padrinho e afilhado" com Kassab.

"Ele é uma individualidade política", afirmou o tucano, lembrando que ele foi reeleito com mais de 60% dos votos em 2008.

Segundo Serra, Kassab está sendo criticado por ter se empenhado na criação do PSD.

Para ele, a população enxerga o prefeito como um síndico que deve se empenhar totalmente à administração.

O candidato também atribuiu o baixo índice de aprovação do prefeito às críticas da oposição. "A prefeitura não sabe se defender. A área de comunicação não funciona."

"Ele não tem um reconhecimento proporcional ao que fez", afirmou o candidato.

Serra afirmou que foi contra Kassab ter criado um partido.

Idade

Questionado sobre sua idade, ele disse que está em "ponto de bala".

"Me sinto muito bem. Do ponto de vista intelectual e físico", disse o tucano. Ele evitou responder se, em caso de derrota, esta será sua última eleição.

Serra afirmou que em política a velhice não se mede pela idade, mas pelas ideias. "Você teve no Brasil gente jovem, como o Collor, que foi um fracasso."

Questionado sobre o uso do Twitter, em comparação com Barack Obama, Serra disse que ao contrário do presidente americano ele atualiza pessoalmente sua rede social. Ele disse que, por ter muitos seguidores, não consegue dialogar com todos.

Sabatina

Serra foi sabatinado pelo editor de "Poder", Ricardo Balthazar, a editora do Painel, Vera Magalhães, a colunista da Folha Barbara Gancia e o colunista do UOL Maurício Stycer.

A sabatina de Serra foi última promovida pelo jornal e pelo portal com candidatos a prefeito na cidade de São Paulo.

Anteriormente, participaram do evento os candidatos Fernando Haddad (PT), Celso Russomanno (PRB), Gabriel Chalita (PMDB) e Soninha Francine (PPS).

Foram realizadas sabatinas também no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Ribeirão Preto.
 

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