Política

Justiça-Mensalão - (Atualizada)

Da Redação ·

Relator rebate voto de revisor sobre absolvições no mensalão




BRASÍLIA, DF, 13 de setembro (Folhapress) - O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, relator do mensalão, rebateu hoje parte do voto do revisor do caso, Ricardo Lewandowski, que inocentou do crime de lavagem de dinheiro os réus Rogério Tolentino, advogado do empresário Marcos Valério, e o vice-presidente do Banco Rural Vinicius Samarane.

Segundo Barbosa, o advogado faz parte da denúncia por lavagem de dinheiro. A defesa de Tolentino e Lewandowski disseram que ele não teria sido acusado desse crime.

Barbosa afirmou que "Tolentino é companheiro de todas as horas de Valério" e estava presente "em todas as maquinações".

De acordo com o Ministério Público, ele participou das negociações dos empréstimos e ajudou a montar o esquema de distribuição de recursos a políticos.

Ele também comprou um apartamento da ex-mulher do ex-ministro José Dirceu, outro réu do mensalão.

Para o relator, Tolentino ajudou numa triangulação para lavar dinheiro de origem no Visanet (cerca de R$73 milhões) para o esquema envolvendo o Rural e as agências de Valério. Ele tomou um empréstimo de R$ 10 milhões no BMG.

Em seus depoimentos, Tolentino disse que pediu esse empréstimo a pedido de Valério, e que repassou três cheques em branco para que o empresário usasse o dinheiro. Tolentino nega saber o destino do dinheiro emprestado em seu nome.

"Esse empréstimo de R$ 10 milhões foi utilizado para lavagem de R$ 73 milhões que foram tirados do Banco do Brasil. Ele diz que entregou três cheques e vocês acreditaram numa historia dessa?", questionou o relator.

"Tolentino ajudou a lavar R$10 milhões que Valério desviou do Banco do Brasil", completou.

O revisor sustentou que o crime de lavagem não foi imputado ao advogado. "É bem possível que ele esteja envolvido em quadrilha, mas não estamos discutindo isso nesta parte", disse. "É preciso individualizar as situações".

Sobre Samarane, Barbosa disse que ele era um dos responsáveis das informações a serem prestada ao Banco Central sobre os saques, o que não foi feito, uma vez que o Rural e o grupo de Valério omitiram os reais recebedores.
 

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