Política

Relator critica entrevista de delegado da PF que investigou mensalão

Da Redação ·

BRASÍLIA, DF, 12 de setembro (Folhapress) - Relator do processo do mensalão no STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Joaquim Barbosa, criticou o delegado da Polícia Federal Luís Flávio Zampronha, que investigou o caso, e disse que em "qualquer país organizado" ele teria sido suspenso. Barbosa reclamou de entrevistas de Zampronha apontando que réus não deveriam ter sido denunciados. Em agosto, o delegado disse à Folha de S.Paulo que considerou haver "injustiças" na denúncia, como no caso de Anita Leocádia (assessora parlamentar) e Geiza Dias (gerente da SMPB, agência do publicitário Marcos Valério). A fala de Zampronha foi citada pelo revisor do mensalão, Ricardo Lewandowski, e provocou a reação de Barbosa. "Veja como as coisas são: um delegado que presidiu um inquérito, quando esse inquérito já se transformou em ação penal, o delegado vai à imprensa e diz que fulano não deveria ser denunciado. Isso é um absurdo. Em qualquer país organizado um delegado desse estaria suspenso." O ministro Gilmar Mendes também questionou a fala de Lewandowski. "Eu tenho impressão que nos autos já há argumentos para discutir [o caso] sem necessidade de se invocar testemunhos nos jornais", disse. O revisor disse que só fez um comentário e que não utilizaria a entrevista no julgamento. "Zampronha presidiu o inquérito e assegurou que esta ré é funcionária subalterna, não teria qualquer ciência dos fatos delituosos", disse. "O delegado disse, e eu não levarei em consideração, nada que não esteja aplicado no conjunto probatório, senhores ministros", completou. A discussão acontece durante votação do capítulo que trata do crime de lavagem de dinheiro. São acusados neste item réus ligados ao Banco Rural e às agências de publicidade de Marcos Valério.  

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