Política

EHaddad diz que não se pode "partidarizar igrejas"

Da Redação ·





Por Felipe Maia

SÃO PAULO, SP, 9 de setembro (Folhapress) - O candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, criticou hoje "a partidarização das religiões", em referência à ligação do rival Celso Russomanno (PRB) com igrejas evangélicas.

Hoje, reportagem da Folha mostrou que o principal templo da Igreja Universal do Reino de Deus em São Paulo vem sendo usado pela campanha do candidato do PRB, como um tipo de comitê informal. Na sexta-feira, pastores da Assembleia de Deus - Ministério de Santo Amaro pediram que cada fiel consiga cem votos para Russomanno, que teve seu número de urna divulgado no púlpito.

Questionado sobre o assunto após carreata pela região dos bairros de Taipas e Jaraguá, na zona norte de São Paulo, Haddad disse que "a Constituição veda a partidarização das religiões" e que "não se pode partidarizar igrejas".

"Nós temos que combater a intolerância [religiosa], qualquer que seja ela, mas nós não podemos partidarizar a igreja. Esse é o meu ponto de vista, porque a Constituição veda as duas coisas".

Questionado se seu partido iria tomar alguma medida a respeito do assunto, o petista afirmou que é o Ministério Público Eleitoral quem tem de analisar o caso.

Ele também criticou Russomanno, líder nas intenções de voto, por supostamente comemorar a vitória antes da eleição. Na TV, o candidato do PRB costuma enfatizar os números das pesquisas. Em discurso para apoiadores, Haddad afirmou que há candidatos que "já dão a eleição por encerrada".

"Tem gente que, em vez de usar a campanha de TV para fazer proposta, está agradecendo pesquisa de intenção de voto", afirmou o petista, que atualmente está empatado tecnicamente em segundo lugar nas pesquisas com o candidato do PSDB, José Serra.

Mensalão

Haddad também ironizou a participação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), que citou o escândalo do mensalão em anúncios veiculados na campanha de TV de Serra. FHC afirma que "a Justiça está despertando o Brasil" e "já condenou réus do mensalão e não poupou os poderosos", em referência ao julgamento do caso, em curso no STF (Supremo Tribunal Federal).

O petista perguntou se FHC havia falado sobre o caso do mensalão mineiro, suposto esquema para financiar a campanha eleitoral de 1998 do PSDB ao governo de Minas Gerais. Teriam sido utilizados recursos de empresas públicas e o operador do esquema também teria sido o empresário Marcos Valério, o mesmo do mensalão do PT.

"Como ex-presidente, ele [FHC] tem que ter uma postura republicana, e ele sabe onde começou isso. Começou em Minas Gerais com o partido dele", afirmou Haddad.
 

continua após publicidade