Política

Justiça-Mensalão - (Atualizada)

Da Redação ·

Supremo conclui segunda parte do julgamento; três são condenados BRASÍLIA, DF, 6 de setembro (Folhapress) - O STF (Supremo Tribunal Federal) concluiu a análise do segundo dos sete itens da denúncia do mensalão e condenou três diretores do Banco Rural por gestão fraudulenta de instituição financeira. Os ministros entenderam que houve fraude e simulação em empréstimos concedidos pelo Banco Rural a réus do mensalão e, por isso, pediram a condenação. Segundo a Procuradoria Geral da República, o banco abasteceu o mensalão com R$ 32 milhões. Foram considerados culpados: a dona do banco Kátia Rabello, o vice-presidente Vinicius Samarane, e o ex-vice-presidente José Roberto Salgado. A pena prevista é de três a 12 anos de prisão, mas, como o julgamento é fatiado, será definida ao final. Os ministros inocentaram, por falta de provas, a ex-vice-presidente Ayanna Tenório. Kátia Rabello e Salgado foram condenados por unanimidade. Os ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio Mello votaram pela absolvição de Samarane. O relator, Joaquim Barbosa, foi o único a votar pela condenação de Ayanna. Último a votar, o presidente do STF, disse que os "descuidos da direção do Rural foram em quantidades enlouquecidas" e que as prova eram fartas. "Somente explicáveis esses descuidos por outro propósito dessa diretoria de participar acionariamente do Banco Mercantil de Pernambuco, em liquidação". E completou: "Na perspectiva de obter vantagens, favores, benesses do governo central. Mas não vem ao caso aprofundar esse tipo de análise". Para Britto, houve "muito mais do que negligência, descaso, descuido". "Tudo com intenção, com o deliberado propósito de fraudar essa gestão coletiva", afirmou. O presidente do Supremo sustentou ainda que os "empréstimos foram concedidos a fundo perdido, a descoberto, sem possibilidade de retorno". Em 2003, o Rural concedeu, em valores da época, R$ 29 milhões ao grupo do empresário Marcos Valério e R$ 3 milhões ao comando do PT. Segundo a acusação, o dinheiro privado representou uma cortina de fumaça para encobrir o desvio de recursos públicos para o esquema. Para o Ministério Público Federal, os recursos obtidos pelas empresas e pelo diretório do PT foram depois usados para pagar parlamentares, diz a acusação. Os ministros disseram que o banco cometeu fraude ao fazer uma classificação irreal dos riscos, violando normas do sistema financeiro. E citaram auditorias do Banco Central e laudos da Polícia Federal que afirmam que o Rural deixou de informar o real risco das operações. A condenação de réus do Rural complica as situações do ex-presidente do PT José Genoino e do ex-tesoureiro da sigla Delúbio Soares, que tomaram R$ 3 milhões do Banco Rural para o PT em 2003. Acusados de formação de quadrilha e corrupção ativa, eles aguardam julgamento. Ao analisar essa parte da denúncia, ministros destacaram as relações da cúpula do Rural com Valério e o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil). A ministra do Supremo Rosa Weber disse que Valério fazia "uma espécie de lobby" no Banco Central e que ele atuou para agendar reuniões do Banco Rural com Dirceu. Celso de Mello disse que eles atuaram para obter vantagens. "Se formou na cúpula dirigente do Banco Rural verdadeiro núcleo criminoso, estruturado e organizado mediante divisão funcional de tarefa, com coordenação consciente de vontade." Em seu voto, o ministro Luiz Fux sugeriu que o Rural ajudou financeiramente o PT por meio de Valério. "Desde o início do processo foi revelado à saciedade que o núcleo financeiro deu apoio, através de um núcleo publicitário, para uma agremiação partidária", disse. O revisor, Ricardo Lewandowski, chamou os empréstimos de um negócio de pai para filho e classificou as operações de "doação". Condenados Até agora, o Supremo condenou oito réus e inocentou outros dois. Além dos dirigentes do Rural, foram considerados culpados por desvio de recursos públicos o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), o ex-diretor do Banco do Brasil Henrique Pizzolato, Valério, e dois ex-sócios Cristiano Paz e Ramon Hollerbach. Assim como Ayanna, o ex-ministro do governo Lula Luiz Gushiken também foi absolvido.  

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