Política

Divergência sobre Cuba e Malvinas faz cúpula ficar sem declaração final

Da Redação ·
 O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, durante entrevista ao final da cúpula
fonte: AFP
O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, durante entrevista ao final da cúpula

A falta de consenso em relação à participação de Cuba nos próximos encontros regionais e ao apoio à Argentina, que reivindica a soberania sobre as Ilhas Malvinas, invibializou uma declaração conjunta dos líderes presentes à 6ª Cúpula das Américas, realizada neste final de semana em Cartagena das Índias, na Colômbia.

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Pela primeira vez, países aliados dos Estados Unidos, como a Colômbia, reforçaram a demanda para que Cuba estivesse presente na próxima reunião da Organização dos Estados Americanos (OEA). Cuba foi excluída da OEA anos depois da Revolução Cubana, liderada por Fidel Castro, em 1959, e não participa das cúpulas americanas por causa da oposição dos Estados Unidos e do Canadá.

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O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, cobrou abertamente uma mudança de atitude em relação à ilha comunista. "O isolamento, o embargo, a indiferença, olhar para o outro lado, vêm sendo ineficazes", afirmou o anfitrião do evento.

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, não falou sobre Cuba durante o evento na Colômbia. Mas queixou-se de questões da Guerra Fria, algumas anteriores a seu nascimento, prejudicarem as perspectives de integração regional.

O assessor presidencial para Assuntos Internacionais do Brasil, Marco Aurélio Garcia, disse à agência France Presse que os presidentes não assinaram a declaração final devido à decisão de Estados Unidos e Canadá de vetar a proposta de convidar Cuba para as próximas cúpulas e de não apoiar a reivindicação argentina de soberania sobre as ilhas Malvinas, sob controle da Grã-Bretanha.

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"Não houve possibilidade de uma declaração conjunta. Estados Unidos e Canadá não estão de acordo com Cuba e Malvinas", afirmou Garcia à rádio colombiana RCN.

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A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, deixou Cartagena em direção a Buenos Aires pela manhã, antes do final da cúpula. A reunião bilateral que estava programada entre o colombiano Juan Manuel Santos e a presidente Dilma Rousseff, ao final do encontro, acabou sendo cancelada.

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Em comunicado, a Presidência argentina informou que Cristina Kirchner pronunciou um discurso no qual "agradeceu o apoio e a solidariedade de mais de 30 países pelas Malvinas".

"Todos os países na América Latina e no Caribe apoiam Cuba e Argentina, embora dois países se recusem a discutir isso", afirmou o presidente boliviano, Evo Morales. "Como é possível que Cuba não esteja presente na Cúpula das Américas?", indagou Morales. "De que tipo de integração estamos falando se excluímos Cuba?"

Por causa da questão cubana, o presidente do Equador, Rafael Correa, boicotou o evento. O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, também não participou da cúpula. Venezuela, Equador, Bolívia, Nicarágua e algumas nações caribenhas afirmaram que não participarão de outras cúpulas se Cuba for excluída.

Também não houve acordo durante a cúpula sobre as alternativas para a luta antidrogas na região. "No outro tema central, como é o do debate sobre as drogas e sua descriminalização, também não foram alcançados consensos entre os países, o que significou outro obstáculo para a assinatura de uma declaração final da VI Cúpula das Américas", disse a presidência argentina em seu site.