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Agnelo diz ter encontrado Cachoeira 'apenas uma vez'

Da Redação ·
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fonte: Arquivo
Agnelo diz ter encontrado Cachoeira 'apenas uma vez'

Um dia após dizer que nunca havia estado com o empresário Carlinhos Cachoeira, suspeito de comandar um esquema de jogo ilegal em Goiás, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, informou ter se encontrado com ele em “2009 ou 2010”. A informação foi dada pelo porta-voz do governo do Distrito Federal, Ugo Braga, nesta quinta-feira (12).

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“O governador foi apresentado a Carlinhos Cachoeira em 2009 ou 2010. Ele não lembra com exatidão porque foi durante uma visita que ele fez a uma empresa farmacêutica em Anápolis [GO]. E estavam lá vários empresários desse ramo, inclusive Carlinhos Cachoeira”, disse Braga.

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Nesta quarta-feira (11), durante vistoria a obras em Samambaia, o governador havia dito que nunca havia estado com o bicheiro. "O senhor teve algum encontro com Carlinhos Cachoeira?" foi a pergunta feita pela reportagem. "Não", respondeu o governador.

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Agnelo foi diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) entre 2007 e 2010. A visita ocorreu no período em que ele ainda era diretor do órgão, segundo Braga.

O porta-voz afirmou que o governador não lembrava o nome da empresa onde ele foi apresentado a Cachoeira. Em Anápolis, polo farmacêutico de Goiás, funciona o laboratório Vitapan, que já teve Cachoeira como sócio, mas que hoje está registrado no nome da ex-mulher do bicheiro.

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Agnelo teve seu nome citado em conversas gravadas pela Polícia Federal em abril do ano passado (veja vídeo). As gravações fazem parte da Operação Monte Carlo, que investiga a atuação de Cachoeira na exploraração de jogos de azar e de suposto esquema de suborno de  políticos para ter proteção e receber benefícios de governos. Cachoeira foi preso pela Polícia Federal em 29 de fevereiro. Agnelo nega ligação com o grupo.

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Apoio da base aliada

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Nesta quinta, o governador reuniu 19 deputados de sua base aliada na Câmara Legislativa do DF para cobrar apoio político. Ao final do encontro, os deputados redigiram um documento com seis pontos em que reafirmam a confiança em Agnelo e dizem que as suspeitas contra o governador fazem parte de “uma trama sórdida”.

Braga disse que a Secretaria de Transparência enviou à Polícia Federal ofício solicitando todo mo material que envolve o DF nas investigações. O governador vai pedir ao ministro da Justiça que dê celeridade nesse procedimento", afirmou.

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O porta-voz disse ainda que a secretaria abriu uma auditoria e um processo disciplinar para investigar todos os servidores citados nas denúncias.

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Depois da reunião com os deputados, Agnelo se reuniu com os presidentes dos partidos da coligação que integra a base aliada e o governo para também pedir apoio.

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Gravações

Nos diálogos gravados pela PF com autorização judicial são citados, além de Agnelo, os nomes de Marcello Lopes, ex-assessor de Agnelo, João Monteiro, ex-diretor do Serviço de Limpeza Urbana de Brasília (SLU), exonerado na semana passada, Rafael, que seria Rafael Barbosa, secretário de Saúde do governo do DF, e Cláudio, supostamente Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta, empresa com contratos na área de coleta de lixo no DF.

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Marcello Lopes disse que o nome dele está sendo usado para atingir o governador. O advogado de Lopes, Jorge Amarante, informou que a relação do seu cliente com Carlinhos Cachoeira não envolvia negócios com o governo.

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"Ele teve contato com Carlos Cachoeira duas vezes, só por telefone, e a respeito de questões de índole pessoal, de contratos de índole particular e antes dele ser assessor de governo", disse Amarante.

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O secretário de saúde, Rafael Barbosa, afirmou que nunca se reuniu com João Monteiro e não conhece Carlinhos Cachoeira. Afirmou ainda que é secretário de Saúde, pasta que não tem nada a ver com lixo.

Em nota, João Monteiro repudiou a vinculação de seu nome aos fatos em apuração e colocou seus sigilos telefônico, bancário e fiscal à disposição.

A Construtora Delta, responsável por dois terços do serviço de limpeza urbana em Brasília, declarou não ter qualquer relação imprópria com João Monteiro e afirmou que afastou Claudio Abreu por causa das ligações com Cachoeira.

A crise já provocou a queda do chefe de gabinete de Agnelo e presidente do comitê da Copa de 2014 no DF, Claudio Monteiro. O nome dele foi citado em gravações como beneficiário de uma mesada de R$ 5 mil, além de um pagamento de R$ 20 mil, para indicar nome supostamente de interessa da Delta na direção do SLU.

Monteiro disse que vai processar a Polícia Federal e as pessoas que citam o nome dele na gravação da PF. Ele pôs os sigilos bancário, fiscal e telefônico à disposição. A Delta nega o pagamento de mesada ao ex-chefe de gabinete de Agnelo.

No Senado, Demóstenes Torres (sem partido-GO) vai responder a uma representação ao Conselho de Ética que pode resultar na cassação do mandato dele. Demóstenes aparece em várias gravações da PF atuando em favor do grupo de Cachoeira.

Nesta quinta, Demnóstenes esteve no Senado pela primeira vez desde o auge das denúncias e  disse que vai provar sua inocência.