Política

PT quer debater Curitiba antes de lançar nomes

Da Redação ·
 Encontro da corrente interna CNB reuniu 200 militantes e lideranças do partido na Capital
fonte: Divulgação
Encontro da corrente interna CNB reuniu 200 militantes e lideranças do partido na Capital

No campo majoritário do Partido dos Trabalhadores (PT), a palavra de ordem é “responsabilidade”, quando os assuntos em debate são as eleições 2012 e a defesa do governo da presidenta Dilma Rousseff. Foi assim na reunião de ontem à noite, quando 200 petistas da tendência Construindo um Novo Brasil (CNB) de Curitiba e expressões nacionais do partido, como o deputado federal Ângelo Vanhoni e o presidente da Itaipu Binacional, Jorge Samek, além de deputados estaduais como Toninho Wandscheer e Péricles de Melo, do ex-vereador André Passos, do presidente da CUT/PR, Roni Barbosa, e da presidenta do PT Curitiba, Roseli Isidoro, decidiram que o momento é de unificar a legenda, preparar um projeto do PT para a cidade, conversar com os demais partidos da base de sustentação do governo federal e, somente depois disso, discutir candidatura na Capital. “Estamos no prazo e temos esse tempo. Definir candidato somente lá por janeiro ou fevereiro. Agora, é necessário mobilizar. É tempo de fazer política”, disse Vanhoni, que defende ainda a elaboração de um amplo diagnóstico sobre os problemas e alternativas para a cidade de Curitiba e um projeto que, a exemplo das transformações promovidas pelos governos do PT de Lula e Dilma no país, combine crescimento econômico com inclusão social.

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“A cidade está abandonada, os bairros estão abandonados e não há relação nenhuma dos jovens com a administração na perspectiva de geração de renda. Se pensarmos no trânsito, veremos que a cidade inteira está paralisada. O núcleo de planejamento que pensava o desenvolvimento viário foi sucateado e as praças que arborizavam a região central viraram meros terminais de ônibus”, criticou Vanhoni, que analisa ainda que os últimos dez anos desmontaram com as estruturas criadas anteriormente e que conferiram status de referência a equipamentos públicos. “Um dos últimos equipamentos culturais criado na cidade para o lazer e entretenimento da população, o Centro Cultural do terminal do Portão, está fechado há anos”, disse o deputado federal petista.

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Situação aposta em chapas fracas e isoladas na oposição

Jorge Samek, por sua vez, chamou a atenção para o fato de que as eleições de 2012 não podem ser discutidas isoladamente e que o partido tem de pensar o processo municipal casado com as estratégias para 2014. Ele lançou, sim, sua preferência pela candidatura de Gleisi Hoffmann ao governo do estado: “2014 tem data, nome e sobrenome. Vai ser a Gleisi Hoffmann, primeira governadora do Paraná”, declarou. Samek também disse que é preciso ter a responsabilidade de dialogar com todos os partidos que são aliados e que virão a apoiar o PT nessa caminhada. O cientista político Ricardo Oliveira teceu uma análise que aponta para o perigo de se fragilizar a oposição à administração atual com candidaturas fracas e com pouca densidade de votos. “A direita quer que a esquerda se isole e apresente chapas fracas, de forma a perder as eleições. Do outro lado, ela se une e se mantém no poder apesar do conservadorismo, do nepotismo e do distanciamento das lideranças na administração municipal e no governo do estado com o governo federal. O que está aí representa um retrocesso em relação a tudo o que foi conquistado de avanços sociais e políticos com os governos de Lula e Dilma”, disse Oliveira. “É preciso uma proposta que debata profundamente Curitiba, pois a cidade merece um projeto de política inclusiva. Mas o PT precisa também pensar em uma composição de vitória, pois ele carrega a responsabilidade com essa plataforma de mudança histórica nas estruturas sociais e políticas do Brasil e Curitiba tem papel central no aprofundamento desse projeto nacional”, concluiu.


A presidenta do Diretório Municipal do PT, Roseli Isidoro, lembrou que o debate de ontem à noite não foi o primeiro sobre o tema, mas encerra um ciclo discussões que o chamado campo majoritário vem fazendo para preparar a legenda para passos seguros e certeiros no sentido de se posicionar na campanha do ano que vem. “Nomes não faltam e isso não significa necessariamente que haja uma divisão. Vamos ampliar as discussões para chegarmos no ano que vem com uma estratégia consistente e com propostas que melhor dialoguem com as necessidades da população curitibana”, disse ela. O prefeito de Pinhais, Luizão Goulart (PT), foi muito elogiado pelo trabalho que desenvolve no município da região metropolitana. “Andei em Pinhais. Luizão, você é um orgulho para nós e saiba que seu trabalho é bastante reconhecido”, disse o presidente da Itaipu Binacional.