Paraná

Saiba como nasceu Bicho do Paraná, hino alternativo do Paraná

Música de autoria de compositor nascido em Califórnia deve virar patrimônio cultural do estado

Da Redação ·
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O Hino do Paraná oficial, é claro, é aquele escrito por Domingos Nascimento e musicado por Bento Mossurunga. Ao lado da bandeira e do brasão, é símbolo oficial do Paraná, desde 1947. Mas em termos de popularidade, pelo menos, o verdadeiro hino do Paraná, desde sempre, é aquela música Bicho do Paraná, do cantor e compositor João Lopes, nascido em Califórnia. Quem nunca brincou com aquele verso, “não sou gato de Ipanema, sou bicho do Paraná”!

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Agora, a composição de João Lopes, falecido há dois anos (18 de maio), aos 69 anos, pode também ganhar status oficial. Não como hino do Paraná. Mas como parte do Patrimônio Artístico e Cultural do Paraná, figurando ao lado de históricos símbolos da cultura paranaense, como verdadeiras obras de arte, tais como os painéis de Poty Lazzarotto ou as esculturas de João Turin.

A Assembleia Legislativa do Paraná deve votar em breve o projeto de lei 328, de 2020, de autoria do deputado Arilson Chiorato (PT), que confere à canção o título de Patrimônio Artístico do Paraná. O projeto de lei do deputado foi aprovado, nessa semana, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Alep, e deve entrar na pauta de votação em plenário dentro de alguns dias.

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A votação aconteceu na última terça-feira (27). “Através de sua música, João Lopes, conseguiu transformar o jeito simples dos paranaenses do interior em motivo de orgulho. A frase ‘eu não sou gato de Ipanema, sou bicho do Paraná’ se transformou no hino informal do estado e marcou gerações, em especial na década de 1980”, comenta o deputado.

O projeto de lei fala em preservar a memória do artista e de sua obra, algo que já vem sendo feito pela família. Carmem Carolina Lupion Lopes, a Carminha, que dividiu a vida e os palcos com João Lopes, por 40 anos, está de volta à cena musical, depois de dois anos, por causa da covid e do luto pela morte do companheiro, para celebrar a vida e obra do “bicho do Paraná”, como João ficou conhecido depois da música, que embalou a geração paranaense dos anos 80. A empresária e cantora voltou aos palcos em maio, com o show Carminha Canta João Lopes e Outros Rocks.

Surpresa com a homenagem e com o projeto que transforma a música em Patrimônio Artístico do Paraná, Carminha espera convites para levar o show pelo interior do Estado. E não esconde o sonho de cantar as músicas de João Lopes e “outros rocks” na região norte do Estado, Carmen se lançou na música ao conhecer João. Dividiu palco com ele em meados dos anos de 1980, fazendo backing vocal, cantando e compondo com ele.

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João Lopes morreu em 18 de maio de 2020, devido a um câncer de pulmão, que abreviou sua vida, aos 69 anos. Carminha conta que só agora está deixando o luto e retomando a vida, depois que tudo ficou suspenso com a morte do compositor e com os problemas decorrentes da covid19. Ela lembra que 20 dias antes de morrer, João Lopes fez uma live e cantou Bicho do Paraná, entre outras músicas.

COMO NASCEU A MUSICA BICHO DO PARANÁ

Carminha conta que a letra da música que marcou a carreira de João Lopes foi escrita a partir das experiências pessoais que o cantor e compositor viveu durante passagem pelo Rio de Janeiro, nos idos de 1980. 

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Um empresário de João o levou ao Rio de Janeiro para um show, mas ele era pouco conhecido naquele mercado. A experiência, lembra Carminha, não foi boa. “Eles ficaram sem dinheiro para voltar e até para pagar o hotel”, conta.

Assim, surgiu o convite, através de um conhecido do empresário, para que João cantasse num churrasco na laje. O cachê era a passagem de volta e a conta no hotel. João estava frustrado com a experiência e o empresário chegou a sugerir que João mudasse sua imagem, cortando o cabelo, fazendo a barba. Enfim, o homem queria que ele se reinventasse como um produto para o mercado.

Foi assim, contrariado com a proposta, que João Lopes falou de seu orgulho de ser pé vermelho – como são chamados os que nascem no norte do Paraná -, de já ter colhido café. Nesse diálogo, inspirado pelas imagens do local onde estavam e dos tipos que frequentavam a orla carioca, João teria dito que não era um gato de Ipanema, mas bicho do Paraná. “A estrofe ficou pronta ali”, conta a viúva.

Doido para voltar para casa, para o Paraná, João Lopes chamou um táxi. “Assim que o rapaz chegou para pegar ele, João entrou no carro e foi logo dizendo para tirar ele daquele lugar. E nasceu outra parte da música...seu motorista toque o carro, me tire desse lugar”.

João Lopes, a cena musical paranaense e uma geração inteira de gente do Paraná não tinha ideia que, naquele momento, a história começava a ser recontada, num outro tom.

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