Paraná

Paraná possui aumento na produção de café gourmet

Especiais e muito mais valorizados em diversas regiões do país e do mundo, os cafés gourmets são mais do que uma nova nomenclatura para o bom café

Da Redação ·
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fonte: Pixabay

O café paranaense é respeitado em todo o país e em diversos lugares do mundo, mesmo por quem não sabe de onde está saindo o café que está tomando, e isso não é de agora, afinal, o Paraná produz cerca de 870 mil sacas de café anualmente, o que o torna o 5º maior produtor de café arábica do Brasil, de acordo com dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento.

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Os cafés do Estado são enviados para 97 países, incluindo Rússia, Japão, Ucrânia, Reino Unido e Estados Unidos, gerando lucro de, aproximadamente, US$ 342 milhões ao ano.

Nos últimos anos, no entanto, o que tem chamado atenção é a exigência dos consumidores em relação à gourmetização do café, que não está mais restrita às pessoas das mais altas classes econômicas, e tem ganhado espaço na casa de pessoas de diversos perfis sociais.

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Com o advento das novas máquinas de café em cápsulas vendidas a preços considerados acessíveis para uma boa parcela da população, permite que não seja necessário comprar grande quantidade de café de alto padrão para consumo doméstico, mas que, em pequenas doses (cápsulas), seja possível tomar o melhor café possível, por preços similares ao de um café comum, daqueles tomados no balcão da padaria antes de ir para o trabalho.

Os produtores de café paranaense estão atentos a essa tendência e a informação se confirma pelo fato de que, de acordo com a Secretaria Estadual da Agricultura do Paraná, 30% das sacas de café produzidas no Estado são de cafés especiais, ou como muitos preferem chamar, cafés gourmets.

Além dos sabores diferenciados, para um café ser considerado gourmet, não basta fazer marketing ou criar uma boa embalagem. É preciso seguir padrões mais altos de qualidade, rastreabilidade e sociais, o que faz com que esse tipo de café possa custar um pouco mais para o produtor, mas que ainda assim, seja mais lucrativo, pois o consumidor percebe o valor agregado no produto final.

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Produzido em escalas menores e de forma ainda mais artesanal do que o café tradicional, o café gourmet paranaense também tem forte valor social, sendo produzido por famílias agricultoras e por projetos como o “Mulheres do Café”, nascido no Norte Pioneiro, por iniciativa do IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater), em 2013, movimentando mais de 250 mulheres, e hoje já presente, também, no Vale do Ivaí.

Os cafés especiais do Paraná são valorizados pela doçura, corpo e a acidez fosfórica, uma característica relacionada à terra roxa do norte paranaense, considerada rara nos cafés e muito valorizada no mercado, sendo que até pouco tempo atrás, pouco se explorava como virtude local, enquanto o café africano já era bastante apreciado, pela mesma característica.

Segundo José Antônio Rezende da Silva, responsável por uma empresa que negocia cafés de produtores paranaenses e paulistas para exportação, “a acidez fosfórica é uma coisa um pouco rara nos cafés e é muito bem vista pelo mercado. Então, se fala muito em acidez fosfórica nos cafés africanos e hoje está muito claro que isso acontece naturalmente nos cafés do Paraná. Essa acidez nos grãos do café produzido no Paraná tem muito a ver com esta questão do solo”.

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O empresário ainda comenta que a demanda é maior do que a capacidade de produção do café gourmet do Paraná: “Se tivesse mais desse produto, a gente colocaria no mercado. Desde que fundamos a empresa, em 2015, a cada ano, nós temos mais clientes. São novos clientes que estão buscando os cafés do Paraná”.

O café (ainda verde) é enviado para o exterior através de navios, em contêineres que aportam na Alemanha, nos Estados Unidos, na Espanha e na Itália, onde o próprio comprador realiza a torra, de acordo com as preferências locais.

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A seleção do café enviado é minuciosa. Além dos grãos terem que ser provenientes de boa colheita e de boa secagem, não podem ter caído no chão nem pegado chuva. Além disso, não podem ser enviados grãos pretos e verdes misturados e nem mesmo grãos quebrados. Caso contrário, não se classificam dentro do que é considerado café especial.

Segundo Jéssica D'Angelo, técnica do sistema FAEP/SENAI, “esses cafés possuem notas de chocolate, caramelo, frutas cítricas, notas florais... São cafés excepcionais. Então, aquele consumidor que está acostumado a tomar um café tradicional e prova um café especial, é difícil ele querer retornar pro café tradicional [...]. Enquanto um café tradicional, que a gente encontra em mercado, tem um aumento de consumo em torno de 2%, em termos de cafés especiais, esse aumento gira em torno de 16% ao ano”.

Com o novo perfil de consumo e de produção, a valorização do setor e da agricultura familiar estão em crescimento no Estado e a tendência é positiva, o que pode melhorar, não só o status de produtor de café especial da região, como também fomentar a economia local e melhorar a vida de diversas famílias que se concentram na produção cafeeira no Paraná.


Redação: Bruna Bozano.

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