Pai de santo preso por estupro no PR usava fé para ameaçar, diz vítima
Suspeito dizia que entidades puniriam as mulheres que não cedessem aos abusos ou tentassem denunciá-lo à polícia

Dois dias após a prisão preventiva de um pai de santo de 53 anos em Sarandi, no norte do Paraná, novos detalhes revelam como o líder religioso operava para cometer abusos sexuais e manter o silêncio no terreiro que comandava. O terror psicológico era a principal arma do suspeito.
Segundo o relato de uma das mulheres assediadas no local, ele utilizava a fé para ameaçar as frequentadoras, afirmando que haveria retaliações severas no âmbito espiritual caso elas recusassem suas investidas ou procurassem as autoridades.
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As vítimas relataram que buscavam a tenda de umbanda em momentos de extrema vulnerabilidade emocional, procurando acolhimento e orientação. Aproveitando-se dessa fragilidade e de sua posição de autoridade, o homem transformava o ambiente religioso em um espaço de intimidação. Os depoimentos colhidos apontam que o suspeito manipulava as crenças das vítimas, incutindo o medo de que suas vidas seriam destruídas por forças espirituais caso as denúncias de importunação sexual viessem à tona.
O líder religioso foi detido a partir de uma denúncia do Ministério Público do Paraná, que investiga a extensão de seus crimes. Além dos abusos cometidos contra as fiéis durante os atendimentos espirituais, o homem também é acusado de estuprar a própria filha biológica na época em que ela tinha apenas 15 anos.
Com a repercussão da prisão e a divulgação do modo de agir do suspeito, a polícia civil espera que outras possíveis vítimas que frequentavam o templo e sofreram ameaças semelhantes se sintam encorajadas a quebrar o silêncio e formalizar novas denúncias. A defesa do acusado ainda não se pronunciou sobre o caso.
