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Hospitais estão sem leitos e com ameaça de falta de insumos

Da Redação ·
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fonte: AEN
Hospitais estão sem leitos e com ameaça de falta de insumos

As redes de saúde pública e privada de Curitiba pode a qualquer momento perder a capacidade de atender novos pacientes, seja de Covid-19 ou de qualquer outra doença, devido à velocidade de transmissão de coronavírus e a ameaça de falta de insumos e equipamentos, como anestésicos e oxigênio. A informação foi repassada à imprensa em entrevista coletiva conjunta neste sábado (13) com a superintendente Executiva da Secretaria Municipal de Saúde, (SMS), Beatriz Battistella Nadas, a superintendente de Gestão da SMS, Flávia Quadros, e o presidente da Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Paraná (Femipa), Flaviano Ventorim.

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"Hoje estamos atendendo todos os pacientes que chegam na rede pública, por isso fizemos a mudança das UPAs, mas a velocidade de transmissão da covid-19 está alta demais, amanhã ou depois de amanhã, pode ser que a gente não consiga. A mudança de padrão da doença que leva pacientes ao internamento em três a quatro dias não nos dá mais tempo de quatro semanas. Não há giro de leitos. Estamos no limite de atendimento", disse Flávia Quadros. Segundo Ventorim, a cidade está próximo do difícil momento onde os médicos terão que escolher quem vai receber oxigênio ou não, quem será internado ou não: "Aquilo que vimos acontecer na Itália, nos Estados Unidos, em Manaus, está muito próximo de acontecer aqui em Curitiba. Não queremos que isso aconteça".  Por isso, os três foram enfáticos ao afirmar que é hora de a população fazer a sua parte, evitar sair de casa e quando sair usar máscaras e tomar as medidas de distanciamento social e higiene. 

O presidente da Femipa lembrou que Curitiba está com mais de 15 mil casos ativos. "Se 10% deles complicarem, são 1500 pessoas que vão para o sistema de saúde, público e privado, e se seguir o padrão atual, 300 podem precisar de UTI, ou seja, não temos essas vagas. E não só por uma questão de dinheiro, porque não há equipamentos para comprar, oxigênio, anestésico, fora equipes de saúde. Para vocês terem uma ideia, há dois dias não tínhamos esse problema de anestésticos, mas a demanda aumentou tanto que já não temos garantias de entrega", disse ele. 

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Beatriz Battistella Nadas, superintendente Executiva da SMS, resumiu o momento como de "guerra". "Estamos no limite do atendimento. Essa mudança no padrão da doença faz com que a gente tivesse uma ocupação rápida dos leitos da cidade. A solução por parte da saúde está no limite, seja leitos, insumos, equipamentos e não porque não temos dinheiro, mas porque não há no mercado. "A indústria brasileira não tem capacidade de produção de insumos e remédios na velocidade necessária, porque precisa de insumos internacionais. Nos resta à interrupção da transmissão da doença e por isso a bandeira vermelha e a necessidade de que os cidadãos evitem sair, usem máscara e distanciamento social. Depende de todos nós", afirmou a superintendente.

De acordo com dados da Secretaria de Saúde, antes da nova cepa, o paciente demorarava de 7 a 8 dias para ser internado e agora este tempo reduziu para  três a quarto dias. O tempo de internação também aumentou, porque os pacientes jovens, de 20 a 60 anos, ficam mais tempo internados. "Isso acabou com o giro de leitos que nós tínhamos anteriormente. É um novo perfil da doença muito mais agressivo que colapsa os hospitais muito mais rápido. E esse colapso não é só para casos de coronavírus, mas também de infarto, acidentes", explicou Ventorim.

Ventorim lembrou que nenhum hospital particular de Curitiba fechou, mas vários restringiram o atendimento, mas isso pode mudar: "Precisamos conter a curva de crescimento. É muito agressiva, temos que controlar. Não é uma questão de apoiar ou não apoiar o lockdown, é uma medida necessária. É hora de todos se unirem, indústria, comércio, população, para abaixar essa curva de crescimento". 

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Questionada se a redução em 50% de ocupação no transporte coletivo é suficiente para segurar a transmissão da Covid-19, Beatriz disse que a expectativa é que com a bandeira vermelha, apenas os trabalhadores de serviços essenciais utilizem os ônibus: "A Urbs deve estudar novos planos para evitar que os ônibus fiquem lotados. O plano foi feito para isso. Estaremos atentos". 

Desrespeito às normas

Em postagem nas redes sociais na manhã deste sábado (13), o prefeito de Curitiba Rafael Greca disse que "fomos empurrados para o pior pelo desrespeito às normas sanitárias". A declaração foi feita no no primeiro dia de bandeira vermelha na capital paranaense devido ao rápido avanço da covid-19 e o colapso na rede de saúde. Nesta sexta-feira (12), Curitiba registrou o recorde de mortes anunciadas em um único dia: 34. A cidade tem 13.372 casos ativos de covid e a taxa de ocupação de leitos de UTI chegou a 96%.

Com informações Bem Paraná.