Paraná

Fim dos contratos de pedágio vai cortar milhares de empregos

A estimativa é que quase 8 mil empregos diretos e indiretos sejam encerrados

Da Redação ·

Em menos de um mês, chegam ao fim os contratos de concessão do Anel de Integração do Paraná. Se por um lado as cancelas de pedágio ficarão liberadas, de outro, o impacto da retirada das concessionárias do serviço terá reflexos no atendimento em casos de acidente, na arrecadação de vários municípios e até no desemprego.  A estimativa é que quase 8 mil empregos diretos e indiretos sejam encerrados. Só em relação a concessionária CCR Rodonorte, responsável por trechos da PR-151, Rodovia do Café e BR-277, duas mil pessoas vão perder seus empregos. 

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A estimativa é da diretora presidente da concessária, Thais Caroline Borges. Segundo ela, atualmente são 700 colaboradores diretos na folha de pagamento da CCR e mais 1,3 mil pessoas que trabalham com contratos exclusivos com a companhia. Essas pessoas além de perderem os empregos, também vão ficar sem vários benefícios, como plano de saúde. 

“São mais ou menos duas mil pessoas desempregadas, fora as pessoas que trabalham em obras de manutenção. Essas pessoas geram renda nos municípios, recebiam benefícios como vale alimentação, plano de saúde. O impacto que isso vai gerar nos preocupa, temos um contrato na mão que se encerra e vamos ser profissionais, já realizamos conversas com nossos colaboradores, fomos francos com cada um deles. Uma data que sabíamos que ia acontecer e que estamos seguindo com muito profissionalismo”, comenta. A suspensão dos repasses gerados pela atividade também vai impactar diretamente nas prefeituras lindeiras às rodovias pedagiadas. De acordo com Thais, ao longo dos 23 anos foram repassados mais de R$500 milhões em Imposto Sobre Serviços (ISS) para municípios. Com o fim do contrato, esse recurso deixa de entrar em caixa. “De janeiro a setembro de 2021 foram repassados R$54 milhões de ISS. Os gestores dessas prefeituras utilizavam esses valores para pagamento de contratos escolares rurais, obras, é um trabalho que vai muito além das faixas de domínio das rodovias”, disse.

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No Vale do Ivaí, por exemplo, foram repassados quase R$ 7 milhões neste ano nos cinco municípios do trecho da BR-376: Apucarana, Marilândia do Sul, Califórnia, Mauá da Serra e Faxinal. No ano passado, o imposto do pedágio correspondeu a 80% da arrecadação deste tributo em Califórnia e 74% em Marilândia do Sul.

‘Foram mais de 5 mil pessoas salvas’

A diretora presidente da Rodonorte também afirma que há uma preocupação em relação à segurança dos usuários das rodovias. “A Rodonorte reduziu em 82% o índice de mortalidade nos acidentes das rodovias. A prestação de serviços a vítimas vai acabar. É um assunto complexo. A rodovia não é só asfalto, é corredor de vida, com esse propósito que operamos nesses anos. Foram mais de cinco mil pessoas salvas, é nossa responsabilidade, tratar de vidas”, enfatiza Thais Caroline Borges.

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O cálculo citado por Thais é baseado em estatística que leva em consideração os índices de acidentes e óbitos nas rodovias calculada mediante o fator ausência de serviços – tal qual era a realidade em 1998, antes do contrato. “Este número baseado nos índices, considerando o atendimento realizado pelas nossas equipes, é maior ainda: foram milhões de ocorrências atendidas nestes 23 anos, muitas delas onde nossas equipes atenderam situações gravíssimas e salvaram a vida de quem estava envolvido”, comenta.

Ela destaca ainda que além do socorro a acidentes e aos usuários, a concessionária é responsável por um intenso programa de conservação. “Da parte da conservação, existem sete equipes de pavimentos que estão trabalhando cinco dias na semana. Nos corredores da Rodonorte, 80% do fluxo é de caminhões. Não tem fiscalização de peso, pela ausência de agentes nas balanças, convivemos com sobrepeso de até 80%, então cuidar é muito intenso”, comenta.

Obras em andamento

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A CCR Rodonorte tem em andamento algumas obras e a empresa tenta concluir projetos antes do fim do contrato. O trecho na transposição da BR-376 na linha férrea em Apucarana, por exemplo, é um que não será concluído. “Existem várias frentes de trabalho, nesse corredor (Rodovia do Café) ainda existem 10 km de duplicação em andamento. Em relação ao trecho da Vila Reis em Apucarana, o que nos impede de concluir a obra é uma discussão judicial, por causa da indisponibilidade de uma área de linha férrea, um novo viaduto precisa ser implantado e existe uma ação da empresa Rumo” explica.

Na reta final, a CCR Rodonorte agradece os colaboradores, prefeitos e garante que encerra o contrato com sentimento de missão cumprida. “Em nome dos colaboradores que trabalharam de forma intensa, empregando 16 novas frentes, concretizando 16 novos projetos, agradeço, Quero agradecer muito as cidades do norte que sempre nos apoiaram, nos receberam, contamos com apoio de pessoas importantes para nós, como os prefeitos Júnior da Femac, de Apucarana; Paulinho Moisés, de Califórnia; Aquiles Takeda, de Marilândia do Sul e Hermes Wicthoff, de Mauá da Serra. Precisamos de muito apoio e recebemos. Quero agradecer os parceiros, encerrar essa história como uma missão cumprida. Esperamos que o Estado consiga seguir com esses serviços”, finaliza.