Caminhões tombados têm carga saqueada no PR; condutor de um dos veículos ficou gravemente ferido
Acidentes ocorreram com apenas 20 minutos de diferença em rodovias de Nova Laranjeiras. Polícia priorizou o resgate da vítima e não realizou prisões

Duas carretas tombaram e tiveram suas cargas saqueadas por moradores na manhã desta terça-feira (7), em Nova Laranjeiras, na região central do Paraná. No primeiro acidente, um grupo de aproximadamente 80 pessoas furtou o carregamento de frango congelado enquanto o motorista do veículo, gravemente ferido, recebia socorro médico na rodovia.
A ocorrência inicial foi registrada por volta das 9h, no quilômetro 418 da BR-277. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informou que não efetuou prisões no local porque a prioridade absoluta das equipes era garantir o atendimento à vítima de 31 anos, que foi encaminhada ao hospital, e realizar a sinalização da via para evitar novos acidentes.
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Apenas vinte minutos depois, um segundo tombamento ocorreu a poucos quilômetros dali, na PR-473. Uma carreta que transportava cerca de 19 toneladas de alimentos diversos foi alvo de aproximadamente 60 saqueadores. A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) foi acionada, mas chegou ao trecho quando a maior parte da mercadoria já havia sido levada. Neste caso, o condutor de 41 anos saiu ileso e testou negativo para a ingestão de álcool no bafômetro.
Apesar de não haver uma tipificação específica para o saque de cargas no Código Penal brasileiro, a prática é ilegal e configura crime de furto. A pena pode chegar a oito anos de prisão em casos qualificados, como o concurso de duas ou mais pessoas e o arrombamento de contêineres. Além disso, quem adquire, oculta ou transporta esses produtos pode responder criminalmente por receptação, com pena de até quatro anos de prisão.
Autoridades policiais alertam que a ação, além de gerar severos prejuízos econômicos às empresas e aos trabalhadores autônomos, coloca a vida de diversas pessoas em risco. Os próprios saqueadores ficam expostos a atropelamentos, e motoristas que tentam desviar da aglomeração podem causar novas colisões. Segundo especialistas em segurança pública, a prática é muitas vezes motivada por uma falsa crença cultural e sensação de impunidade, baseada na ideia equivocada de que bens caídos na pista não possuem mais dono.
