Brasileiro neonazista que matou casal no PR é preso na Itália após longa investigação
Líder de organização supremacista já havia sido condenado após matar casal em festa que comemorava aniversário de Adolf Hitler

O brasileiro João Guilherme Correa, 35 anos, foi preso na manhã de sábado (27) em uma propriedade rural na região de Pavia, no norte da Itália, a cerca de uma hora de Milão. Condenado a 35 anos e dois meses de reclusão pelo assassinato do casal Bernardo Pedroso e Renata Pereira, em 2009, no município de Quatro Barras (PR), em um crime motivado por uma disputa interna em um grupo neonazista que cultuava Adolf Hitler. Correa estava foragido desde 20 de março de 2025, três dias antes do julgamento que o condenou.
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Ele também era alvo de um mandado de prisão preventiva pelos crimes de racismo e apologia ao nazismo, expedido pela 7ª Vara Federal de Florianópolis, e era apontado como líder da divisão brasileira de uma organização neonazista internacional. O grupo realizava encontros presenciais na Região Metropolitana de Florianópolis para difundir a ideologia neonazista e recrutar novos integrantes.
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A captura foi resultado de uma operação de cooperação internacional que contou com o trabalho de investigação da Polícia Civil do Paraná, por meio da Delegacia de Polícia de Sarandi, e com o apoio da Adidância da Polícia Federal em Roma.
No momento da abordagem, os policiais italianos encontraram Correa com um passaporte falso. Ele foi conduzido à Delegacia Central de Milão e aguarda o processo de extradição para o Brasil.
Investigação da Polícia Civil do Paraná foi decisiva
As investigações conduzidas pela Delegacia de Polícia de Sarandi tiveram papel fundamental na localização do foragido. Em maio de 2026, os policiais apreenderam aparelhos celulares pertencentes à namorada e aos pais de Correa.
A análise do material permitiu identificar elementos que ajudaram a reconstruir sua rota de fuga, indicando que ele havia deixado o Brasil com destino à Europa.
Criminoso fugiu antes da condenação
Correa fugiu do Brasil em 20 de março de 2025, apenas três dias antes do julgamento que o condenou pelo assassinato do casal. Ele conseguiu escapar após enganar o sistema de monitoramento eletrônico. Na véspera do julgamento, entrou em contato com a central responsável pela tornozeleira eletrônica alegando que precisava realizar uma cirurgia de emergência e solicitou a desativação temporária do equipamento.
A tornozeleira foi desligada no dia seguinte. Ele não compareceu ao procedimento médico nem ao julgamento, tendo desaparecido logo depois.
Casal foi morto em festa que comemorava o aniversário de Hitler
O crime ocorreu em Quatro Barras, na Região Metropolitana de Curitiba. Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR), o casal foi executado em uma emboscada motivada por uma disputa pelo comando de um grupo de ideologia neonazista que cultuava Adolf Hitler.
Os assassinatos ocorreram após uma festa organizada para celebrar os 120 anos do nascimento do ditador alemão. Bernardo Pedroso tinha 24 anos, e Renata Pereira, 21.
No mesmo julgamento, Jairo Maciel Fisher também foi condenado, recebendo pena de 32 anos e três meses de prisão.
Participação em organização neonazista internacional
Além da condenação pelo duplo homicídio, Correa também respondia a processo por participação em uma organização neonazista internacional. Segundo a investigação policial, ele exercia função de liderança na divisão brasileira do grupo.
A sentença da 7ª Vara Federal de Florianópolis aponta Correa como líder de uma das ramificações brasileiras da organização que foi criada por supremacistas brancos nos Estados Unidos e com ramificações em diversos países.
O grupo realizava encontros presenciais na Grande Florianópolis para difundir a ideologia neonazista e recrutar novos integrantes. Um desses encontros ocorreu em novembro de 2022 em São Pedro de Alcântara, na Região Metropolitana de Florianópolis.
Segundo a investigação, integrantes da organização viviam em Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, mantendo contato frequente para ampliar a atuação do grupo.
Brasileiro vivia escondido na Itália
Moradores da propriedade rural onde Correa estava hospedado relataram que ele havia alugado uma acomodação alegando que faria aulas de equitação.
Segundo os proprietários, o brasileiro mantinha uma rotina discreta e costumava sair pela manhã para correr pelas proximidades. Foi durante uma dessas corridas que ele foi localizado e preso.
Correa já havia sido preso em 2022 durante uma operação contra uma célula neonazista interestadual com atuação em Santa Catarina. Ele ficou em prisão domiciliar até março de 2025, quando foi condenado.
Correa deve ser extraditado para o Brasil
Após a prisão, as autoridades italianas devem iniciar a tramitação do processo de extradição de Correa para o Brasil. Ele permanece à disposição da Justiça italiana até a conclusão dos trâmites. A defesa do condenado não foi localizada até o momento.
