Paraná

Beto Preto deixa governo do Paraná; veja a entrevista

Ex-secretário da Saúde e ex-prefeito de Apucarana fala dos legados como gestor público

Da Redação ·
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Cumprindo o que determina a Legislação Eleitoral, o ex-prefeito de Apucarana e ex-secretário estadual da Saúde, Beto Preto, se desligou neste dia 30 de junho
fonte: TNOnline
Cumprindo o que determina a Legislação Eleitoral, o ex-prefeito de Apucarana e ex-secretário estadual da Saúde, Beto Preto, se desligou neste dia 30 de junho

Cumprindo o que determina a Legislação Eleitoral, o ex-prefeito de Apucarana e ex-secretário estadual da Saúde, Beto Preto, se desligou neste dia 30 de junho do cargo de assessor especial de Gabinete da Governadoria, assim como se licenciou da função que exerce como médico perito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Na condição de pré-candidato e filiado ao PSD, Beto Preto pretende concorrer nas eleições de 2 de outubro deste ano a uma vaga na Câmara Federal, na chapa que apoia a reeleição do governador Ratinho Junior (PSD).

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Enquanto não sai o anúncio oficial como candidato a deputado federal – o que acontece até o início de agosto, com as convenções partidárias -, Beto Preto informou nesta reportagem à Tribuna do Norte que pretende dedicar sua agenda a uma rotina de gratidão pelo Paraná, a qual já começou logo após sua saída do governo. Ele faz uma avaliação de seu trabalho na Secretaria de Estado da Saúde e como ex-prefeito de Apucarana.

“É uma questão de lealdade”, diz Beto Preto, referindo-se às pessoas que confiaram nele para fazer a gestão da saúde no Paraná, e àquelas que o auxiliaram a enfrentar “a pior tormenta da história”, a pandemia da Covid-19.

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Beto Preto percorre o Estado fazendo um roteiro de agradecimentos. “Preciso demonstrar minha gratidão aos hospitais, públicos e privados, aos profissionais de saúde em geral, aos gestores, médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, enfim, todos ligados à área de saúde”, explica. “E, claro, muita gratidão ao povo, à nossa gente, por esses anos de luta e apoio, que nos permitiram enfrentar a tormenta. Ainda não a vencemos completamente. Mas já passamos os momentos mais duros. Então, é uma questão de lealdade agradecer a todos e reafirmar a disposição de seguir em frente”, justifica.

A agenda de contatos também é usada para estreitar os contatos e organizar a futura campanha a uma cadeira na Câmara Federal. E Beto Preto tem três frentes prioritárias de atuação em seu projeto político eleitoral: “sei a importância de manter viva a chama de atenção ao serviço público de saúde, o SUS, que vem enfrentando um desmonte ao longo do tempo, que enfrenta a falta de recursos para investimentos por parte do ente federal. Temos a bandeira da representação regional e temos o desafio de aprofundar a regionalização da saúde no Paraná. E, por fim, a bandeira por Apucarana, que está há 32 anos sem eleger um deputado federal local”.

Para Beto Preto, essa é a sua missão maior, o trabalho de defesa dessas três grandes prioridades no projeto político. “Tudo isso, encaro como missão. E, havendo confiança das pessoas nesse trabalho, vou encarar essas bandeiras de luta, sempre com orientação e convocação de nosso governador e de nossa gente”, afirma. Beto Preto faz questão de ressaltar: “Estou fechado 200% com o governador Ratinho Júnior”.

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Legado da Pandemia

Beto Preto diz que a tormenta da pandemia de Covid19, se por um lado levou todos ao limite técnico e emocional, por outro lado também forjou um time mais forte, unido e capaz. Quando fala de seu legado, embora ainda não tenha encontrado palavras capazes de resumir, dada a complexidade da experiência vivida, o médico apucaranense diz que não se trata de um orgulho pessoal ou uma vaidade.

Para ele, o legado dessa experiência é trabalho, de muito suor, encarado como missão mesmo. “É trabalho duro, mas com projeto, com cabeça para pensar, com uma equipe de pessoas, todas, com um olhar cuidadoso. Foi assim na prefeitura (de Apucarana) e no Estado (como secretário de Saúde)”.

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Beto ressalta que sua orientação maior sempre é a lealdade. “É preciso ser leal sempre, aos que confiaram em nós, seja depositando o voto nas urnas, seja confiando na gente a ponto de nos convidar para integrar a equipe de governo de Estado”. 

Missão de gestor público

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Sobre a experiência de gestor público, levada ao limite pela pandemia, Beto Preto se diz hoje mais calejado, mais preparado. “Dizem que mar calmo não forma bons marujos. E não à toa, estamos mais experientes, porque já passamos os piores momentos”, comenta.

Para ele, a missão é até fácil de entender. “Aqueles que tem oportunidade de fazer algo, seja pelas oportunidades dadas por alguém ou seja pela oportunidade que Deus nos concede, enfim, quem tem oportunidade de fazer algo, que o faça. Caso contrário, em algum momento vai ser cobrado”.

Assim, avalia o ex-secretário de Saúde, politicamente falando, ele já está num caminho sem volta. “A sorte está lançada e já estamos bem adiante daquele ponto a partir do qual seria impossível voltar atrás. Então, só nos resta avançar. Vamos em frente”. 

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Paraná virou referência no trato da pandemia

No dia 12 de março de 2020, em uma coletiva de imprensa, o então secretário estadual da Saúde, Beto Preto, anunciou a presença do vírus responsável pela Covid-19 em solo paranaense. Naquela ocasião, ninguém sequer imaginava como seria o real enfrentamento a este inimigo invisível. A pandemia já soma 542 milhões de casos e 6 milhões de mortos no mundo. No Paraná, o número de casos passa de 2,6 milhões de pessoas atingidas, com 43 mil mortos.

À frente da Saúde no Estado, Beto Preto não esquece dos momentos mais difíceis e angustiantes no enfrentamento da pandemia. Ele explica que a pandemia teve diversos momentos diferentes. “Eu diria até que foram diversas pandemias dentro de uma só pandemia”, afirma, lembrando que foram pelo menos três momentos muito delicados, três ondas efetivas, momentos mais duros e agudos. Em que pese todas essas perdas, Beto fala em “jornada de perdas com aprendizado, com muitas ações e esperança”.

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“O pior cenário é a perda de alguém, sempre. Porém, na gestão desse processo, nós tivemos que passar por diversas situações completamente diferentes. Eu nunca pensei que em 28 anos de formação como médico enfrentaria algo assim. De repente, não estou apenas enfrentando, mas estou na condução e gestão dessa crise no Paraná, investido no cargo de secretário de Estado.”

Beto Preto destaca que alguns momentos foram de angústia. “Tivemos momentos duros, como a crise dos medicamentos. Por duas ou três vezes quase acabando, e sabendo do número enorme de paranaenses em leitos de UTI, intubados e sedados, e que poderiam ter em algumas horas a falta de medicamentos – isso é dramático”, recorda.

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No enfrentamento à pandemia da Covid-19, Beto Preto defendeu a vacina, e foi um dos protagonistas em centenas de ações e medidas de prevenção para o combate à doença e da estabilização do cenário epidemiológico no Estado. O Paraná foi destaque nacional em testagem contra a Covid-19, e o Estado que pagou mais barato a unidade na compra de um respirador artificial. Cerca de 80% dos paranaenses já tomaram as duas doses da vacina.

A difícil corrida por novos leitos, vacinas e equipamentos

Para Beto Preto, o ano de 2020 foi marcado pela corrida atrás de novos leitos, ventiladores, monitores, equipamentos de proteção individual, testes e o combate sem vacinas ao coronavírus.  “Pessoas perdendo a vida, uma pandemia que chegou sem precedentes e que não veio com manual de instruções, e que, principalmente no segundo semestre, fomos marcados pela expectativa da chegada das vacinas”.

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Já em 2021 o Paraná começou a receber as primeiras doses da vacina contra o coronavírus. “Inicialmente foram os profissionais de saúde, pessoas de mais idade, descendo para as outras faixas etárias. Ao longo de 2021 seguimos vacinando, primeira dose, segunda dose, dose única, no segundo semestre, a chegada da dose também para o reforço, a imunização dos adolescentes e no final do ano de 2021 o momento de vacinar as crianças”, relembra.

Beto Preto diz que usou da transparência e da cautela, seus dois pilares para tratar da doença com a população. “Transparência total sempre, dando as boas notícias e aquelas que inevitavelmente não foram boas, e cautela porque o Paraná nunca precisou sair na frente de ninguém, sempre fez e continuará fazendo o seu dever de casa, colocando como prioridade a vida dos paranaenses”, explica.

Para ele, essa transparência foi determinante nos resultados. “Eu tenho certeza de que depois de dois anos, no Paraná, essa franqueza e transparência foram determinantes para que pudéssemos olhar nos olhos dos paranaenses e dizer o que seria melhor ou pior naquele momento. Existem situações que nunca serão cicatrizadas, feridas que nunca vão fechar, eu sou ciente disso, mas tenho certeza de que o que estava em nosso alcance foi feito e vamos continuar fazendo”, diz.

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O ex-secretário destaca também que o Estado contou com um governador que teve a confiança na equipe de Saúde do Estado. “Segundo ponto importante é a relação de parceria absoluta com os hospitais paranaenses, sejam eles públicos, privados ou filantrópicos, todos colocaram suas estruturas à disposição do Governo e possibilitaram a maior abertura de leitos da história da saúde do Paraná.”

Os quatro hospitais universitários em Londrina, Ponta Grossa, Maringá e Cascavel também colocaram suas estruturas para o atendimento da Covid-19. Tivemos também uma rede satélite de hospitais que já tinham investimentos do Governo do Estado para abertura de leitos de UTI, tanto nas obras quanto nos equipamentos, e que neste momento de urgência foi também essencial. 

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Paraná mais que dobrou a quantidade de leitos de UTI

O enfrentamento à pandemia no Paraná deixa, como legado, um aumento considerável na quantidade de leitos de UTI. De 1.200 leitos cadastrados para adultos em UTI geral no SUS do Paraná, antes do início da pandemia, o número subiu para mais 2 mil leitos, passando de 3,2 mil, atualmente.

A regionalização da saúde, segundo Beto Preto, foi um dos resultados mais importantes e que continua sendo um dos focos de sua atuação política.  Ele lembra que em sua gestão foi feito o maior pacote de investimentos da história do Estado na área da saúde. São R$ 250 milhões para os 399 municípios do Paraná.

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“O grande projeto do Governo do Paraná para a saúde é regionalizar, levar ela para mais perto das pessoas, valorizar o Sistema Único de Saúde, visando o benefício da sociedade, que é usuária do serviço”, define. 

O pacote prevê execução de 343 obras de reforma, construção e ampliação em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e hospitais, além da aquisição de 744 veículos voltados ao transporte de pacientes.

Os recursos estão distribuídos em todas as 22 Regionais de Saúde e vão atender as solicitações das prefeituras e o planejamento da Pasta. “Fazer com que a nossa Atenção Primária em Saúde, as Unidades Básicas de Saúde de cada um dos 399 municípios, voltem a ser plenamente procuradas pela população para tratamento das doenças crônicas. É o hipertenso, o paciente diabético, com ferida na perna, paciente com bronquite grave, asma, a coleta do preventivo do câncer de colo de útero, a vacinação não Covid dos seus filhos ou dos idosos no caso da gripe. Tudo isso precisa voltar a ser feito dentro das Unidades Básicas de Saúde, o postinho de saúde perto de casa das pessoas”, explica. 

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Estado investe em programas e ações

Balanço da Secretaria de Estado da Saúde(Sesa) mostra que foram investidos mais de R$ 18 bilhões em ações e programas para os paranaenses, sendo mais de R$ 13,1 bilhões somente do Tesouro do Estado, desde 2019, na gestão de Beto Preto.

Os recursos abrangem uma série de aquisições, obras e repasses, além de programas voltados para a Atenção Materno Infantil, Saúde da Mulher, Cuidado com o Idoso, pandemia e reflexos do pós-pandemia. Neste período, o Governo do Estado formalizou a entrega de construções e reformas em pelo menos 35 hospitais e 223 Unidades Básicas de Saúde (UBS), além da entrega de três novos hospitais regionais em Guarapuava, Ivaiporã e Telêmaco Borba, reforçando a Rede de Atendimento Hospitalar do Paraná. Restam ainda, 772 obras em andamento, abrangendo mais de 70% dos municípios do Estado.

 Currículo mostra habilidades de gestor público municipal 

Beto Preto, que foi prefeito de Apucarana durante seis anos – deixou o segundo mandato para assumir a secretaria de Estado da Saúde – foi considerado o prefeito mais bem votado do País para cidades de médio porte, quando eleito pela primeira vez.

Em sua gestão, recebeu prêmios importantes com programas municipais, como a “Biblioteca Itinerante” (finalista do prêmio Jabuti), o “Terra Forte” (incentivo à agricultura familiar) e o “Implantando Sorrisos, Aumentando a Autoestima” (saúde bucal).

Na sua gestão, os alunos de Apucarana obtiveram a maior nota do IDEB do Paraná, além de outros prêmios em excelência em educação municipal como a “Medalha Paulo Freire”.

Em 1998 foi um dos fundadores da Delegacia do Conselho Regional de Medicina de Apucarana e Vale do Ivaí, atuando como Delegado Secretário por 10 anos. Entre 2000 e 2002, foi presidente do Conselho dos Secretários Municipais de Saúde do Paraná (Cosems); de 2001 a 2002, foi vice-presidente do Conselho Nacional dos Secretários Municipais de Saúde (Conasems) e, entre 2001 e 2002, foi membro do Conselho Nacional de Saúde, ao lado de Zilda Arns, Sérgio Arouca e Nelson Rodrigues dos Santos, personalidades consideradas importantes da saúde pública brasileira.

Trabalhou como secretário municipal de Saúde na cidade vizinha de Califórnia, de 2001 a 2002. Como médico plantonista atuou em vários hospitais de Apucarana, como o da Providência, Santa Helena e Nossa Senhora Aparecida, e em Arapongas, na Santa Casa.

Foi Diretor Geral da Ouvidoria Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS), no Ministério da Saúde, em Brasília, dirigindo uma equipe de seiscentos servidores. Entre 2005 e 2006, atuou como diretor do Hospital Evangélico de Londrina. Também ocupou o cargo de vice-presidente do Sindicato dos Médicos do Paraná.

Entre 1998 e 2000, em Apucarana, foi secretário municipal de Saúde, quando foi o primeiro município brasileiro com mais de 100 mil habitantes a ter 70% da população atendida pelo Programa de Saúde da Família.

Trabalhou como coordenador médico do trabalho do Serviço Social da Indústria (SESI) na unidade de Apucarana; e ainda como perito médico previdenciário do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), na agência de Apucarana. Assista:     null - Vídeo por: Reprodução

 Texto, Claudemir Hauptmann 

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