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    Após morar nas ruas por 19 anos, mulher volta a viver com a família

    Após morar nas ruas por 19 anos, mulher volta a viver com a família
    Foto por Reprodução/ BEM PARANÁ
    Escrito por Bem Paraná
    Publicado em 27.12.2020, 12:22:42 Editado em 27.12.2020, 12:22:32
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    O dia 16 de novembro de 2020 vai ficar marcado na vida de Alice Leandro, 62 anos. Depois de 19 anos intercalando momentos em que viveu nas ruas de Curitiba e em unidades de acolhimento da Fundação de Ação Social (FAS), ela embarcou para Bauru, São Paulo, onde voltou a viver com a família.

    A última tentativa de retorno familiar, um dos principais objetivos da FAS ao atender uma pessoa em situação de rua, começou a ser traçada em julho deste ano, quando Alice foi acolhida em uma das unidades do município que atendem mulheres, depois de terminar um relacionamento.

    Dependente de álcool e substâncias psicoativas, Alice recebeu cuidados médicos, foi atendida em uma unidade básica de saúde e pelo Consultório na Rua. Fez exames clínicos e mentais, mas acabou fugindo na unidade. Sob efeitos de drogas, precisou ser internada em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps).“Eu fui abandonada pela sociedade, onde ninguém olhava para mim com bons olhos”, contou Alice.

    RecomeçoDurante dois meses em que foi acompanhada, Alice apresentou melhoras e se manteve em abstinência. Foi neste momento que a equipe da FAS começou a fazer buscas por familiares da mulher que moram no estado de São Paulo.

    Encaminhada pela FAS, Alice fez novos documentos e abriu uma conta bancária para ter acesso a direitos e receber benefícios sociais de transferência de renda.

    “Aqui foi o único lugar que eu encontrei, onde as pessoas me receberam de braços abertos, mesmo com minha situação lastimável. Fui recebida pelas funcionárias com amor, carinho e respeito”, disse Alice, referindo à unidade Capão da Imbuia, unidade municipal onde ficou acolhida por seis meses.

    Telefonemas

    Com o apoio da rede assistencial de Bauru, a equipe da FAS localizou a irmã de Alice, mas ainda havia muito trabalho a ser feito. Sônia ficou receosa e preocupada em voltar a falar com a irmã em função das decepções que teve na tentativa de manter a família unida. Mesmo assim, as irmãs se falaram várias vezes por telefone e se viram em chamadas de vídeo.

    A maior emoção foi quando Alice soube que a mãe, idosa e com Alzheimer - está viva. Além da mãe, Sônia cuida do filho de Alice, que tem deficiência intelectual.

    Saudável e felizNo começo de novembro, Sônia ligou para a FAS para dizer da decisão que havia tomado: ia apoiar e receber a irmã novamente. Com a notícia, a equipe iniciou o processo de preparar Alice para a nova etapa da vida. Alice embarcou para Bauru com passagens oferecidas pela Casa da Acolhida e do Regresso (CAR), outra unidade da FAS que atende pessoas em situação de vulnerabilidade social.

    Paralelamente, foi articulado com o município de Bauru o atendimento de Alice e sua família. Passado mais de um mês, a FAS tem notícias que Alice se mantém saudável e está feliz ao lado da família, segundo A diretora de Atenção à População em Situação de Rua, Maria Alice Erthal.

    “Posso dizer do fundo do meu coração que eu tenho muita gratidão pelas pessoas da FAS que me ajudaram. Tudo o que eu falar é pouco diante do que elas são, do que elas fazem para recuperar alguém”, disse Alice, antes de deixar Curitiba.

    PersistênciaO atendimento à Alice começou em 2001. De lá para cá, ela foi inserida no Cadastro Único para recebimento de benefícios sociais, fez cursos profissionalizantes e foi encaminhada para vagas de emprego.

    Alice chegou a trabalhar como cuidadora de idosos, mas problemas com a dependência comprometeram a vida pessoal e social. Durante anos e por inúmeras vezes, Alice foi abordada pelas equipes da FAS, acolhida, encaminhada para tratamento de saúde e se alimentou no Expresso Solidariedade.

    Nas abordagens sociais as equipes oferecem serviços do município, principalmente acolhimento, onde as pessoas encontram local para fazer a higiene, se alimentar e dormir.

    “Mas nosso grande objetivo é criar vínculos com essas pessoas e, ao longo do percurso, possibilitar que elas façam novos projetos de vida e deixem as ruas. Isso pode levar anos, mas cada retorno familiar nos dá a sensação de dever cumprido”, explicou Maria Alice.

    De janeiro de 2017 a novembro de 2020, a FAS garantiu que 2.979 pessoas em situação de rua voltassem para suas famílias.

    Com informações, Bem Paraná

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