A história do paranaense que ensinou a esposa a viver livre antes de morrer
Casal que fundou escola de artes no Paraná enfrentou diagnóstico de tumor terminal escolhendo celebrar o tempo que ainda restava

Uma promessa feita à beira do leito de morte transformou-se em um fenômeno de sensibilidade e engajamento nas plataformas digitais. A cearense Esther de Jesus tem mobilizado milhares de seguidores ao relatar como o luto pela perda de seu marido, o curitibano Ever de Jesus, falecido em abril de 2025 devido a um câncer generalizado, converteu-se em um manifesto de celebração à vida.
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Antes de morrer, o jovem deixou uma recomendação expressa para a companheira: que ela não se deixasse abater pela dor, comprasse uma câmera fotográfica e explorasse o mundo com total liberdade. O apelo, que sintetiza a filosofia do casal diante da finitude, transformou-se em uma corrente de apoio para pessoas que enfrentam perdas semelhantes.
A trajetória dos dois teve início em um cenário incomum: um breve encontro de apenas oito horas durante um evento coletivo no Estádio do Morumbi, em São Paulo. Apesar da distância geográfica inicial entre Fortaleza e Curitiba, a identificação mútua foi instantânea e selada por uma coincidência que os dois consideravam emblemática, envolvendo um pedido silencioso de Ever sobre o nome da jovem. O contato evoluiu rapidamente por meio de telefonemas diários que duravam horas, culminando na mudança definitiva de Esther para a capital paranaense em plena crise sanitária da Covid-19, onde o casamento foi oficializado após apenas oito meses de namoro.
O isolamento social decorrente da pandemia acabou funcionando como um catalisador para a cumplicidade do casal, que passou a conviver integralmente. Desse período de reclusão nasceu o "Ateliê Secreto", um projeto cultural e pedagógico que unia conceitos de teologia, arteterapia e música — vertente liderada por Ever. A estabilidade da rotina e dos negócios, contudo, foi rompida drasticamente após quatro anos de união, quando exames clínicos motivados por um persistente mal-estar gástrico revelaram a existência de um tumor maligno que já havia comprometido toda a cavidade abdominal do paranaense.
Diante do caráter irreversível da doença, a família optou por se transferir para a capital cearense e priorizou os cuidados paliativos em detrimento de tratamentos quimioterápicos agressivos. A decisão permitiu que o casal desfrutasse com dignidade e afeto os últimos doze meses em que estiveram juntos. Hoje, as postagens de Esther, que começaram a viralizar no final de 2025, cumprem a última diretriz deixada por Ever, utilizando a arte e os registros de suas viagens como ferramentas de cura e como uma homenagem viva à memória do parceiro.
O vídeo que viralizou foi postado em dezembro de 2025.
Com informações: Banda B
