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Astrônomo da UTFPR anuncia descoberta de anel em torno do planeta anão Haumea

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Planeta anão Haumea gira em torno do Sol, segundo pesquisadores (Foto: Divulgação)
Planeta anão Haumea gira em torno do Sol, segundo pesquisadores (Foto: Divulgação)

ma equipe internacional de astrônomos, com a participação do professor Felipe Braga Ribas e da aluna Flávia L. Rommel do Programa de Pós-Graduação em Física e Astronomia da UTFPR, anunciou, nesta quarta-feira (11), em coletiva de imprensa realizada na FTD Digital Arena da PUCPR, em Curitiba, a descoberta de um anel em torno de Haumea, um dos planetas anões do Sistema Solar Exterior. O estudo foi publicado na nova edição da revista Nature, disponibilizada oficialmente, também, nesta quarta.

Além dos pesquisadores da UTFPR, fazem parte da equipe outros sete brasileiros do Observatório Nacional (RJ) e do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e cientistas de instituições internacionais, como o Instituto de Astrofísica de Andalucía (Espanha) e o Observatório de Paris-Meudon (França). A descoberta feita pela equipe evidencia a presença de uma nova propriedade em corpos celestes e abre ainda mais questões sobre a evolução dos objetos no Sistema Solar. O artigo apresenta as principais características físicas do Haumea como, por exemplo, tamanho, forma e densidade.

Segundo o professor Felipe Ribas, os objetos transnetunianos, como é o caso desse planeta anão, são difíceis de estudar devido ao seu pequeno tamanho, baixo brilho e às enormes distâncias que nos separam deles. Essas dificuldades foram contornadas por meio da aplicação de um novo método, mais eficiente e complexo, que consiste em estudar as ocultações estelares, ou seja, a passagem destes objetos na frente de uma estrela. O pesquisador da UTFPR foi um dos pioneiros na aplicação desse método na astronomia brasileira.

A descoberta gera também uma série de novas perguntas. "Os próximos passos são continuar observando esse objeto, fazer modelos e simulações sobre esse anel, ver como esse anel pode ou não evoluir, tentar entender do que ele é formado e qual a influência da rotação do Haumea, que é muito elevada, para a formação desse anel", comenta Felipe Ribas.

A pesquisa tem importância, ainda segundo o astrônomo, por reafirmar o preparo do Brasil para a realização de pesquisas de grande impacto na ciência mundial. "A oportunidade desta descoberta vem pelo fato de nós estarmos realizando pesquisa de ponta. Mais do que isso, proporciona trazer nossos alunos, nossas instituições para o destaque que esse tipo de descoberta proporciona, porque mostra que estamos juntos aos países que estão realizando pesquisa de alto nível", ressalta o pesquisador.

Sobre Haumea

Os pesquisadores consideram que o planeta anão Haumea é um objeto bastante curioso: gira em torno do Sol em uma órbita elíptica que se completa em 284 anos (atualmente sua distância de nós é de umas cinquenta vezes a da Terra ao Sol) e sua velocidade de rotação é de 3,9 horas, muito mais rápido que qualquer outro corpo do Sistema Solar com mais de cem quilômetros de diâmetro. Esta velocidade faz com que Haumea se deforme, adquirindo uma forma elipsoidal similar a uma bola de rugby. Por conta dos novos dados agora publicados, sabe-se que Haumea mede 2.320 quilômetros no seu maior lado, quase igual ao diâmetro de Plutão, mas sem sua atmosfera global.

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