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Feijão perde qualidade com chuvas
Foto por Ivan Maldonado
Escrito por Ivan Maldonado
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As chuvas irregulares e em excesso começam a prejudicar o feijão que está sendo colhido nos 22 municípios que fazem parte do núcleo regional da Secretária de Estado e do Abastecimento do Paraná (Seab) de Ivaiporã. As estimativas de produtividade do grão não devem se confirmar. “Antes, a expectativa era de que o agricultor colhesse cerca de 76 sacas por alqueire. Agora, a previsão é que fique em cerca de 60 sacas por alqueire”, analisa o agrônomo Sérgio Carlos Empinotti, do Departamento de Economia Rural (Deral).


Outro problema enfrentado pelos produtores com a chuva é a perda da qualidade do feijão. Os grãos precisam ser secados artificialmente e, segundo os produtores, o processo compromete a qualidade e reduz o valor do produto no mercado. Nos quase 23 mil hectares de área plantada com o produto na região, cerca de 60% das lavoras já foram colhidas e seguem atrasadas em relação ao ano passado. “O produtor se desdobra para aproveitar os intervalos secos e evitar que os grãos sejam afetados. Mas, a perda na qualidade já é evidente”, diz Empinotti.


O produtor Eroni Sagrilo plantou 20 alqueires de feijão na localidade de Ouro Verde, em Ivaiporã. Cerca de 10 alqueires foram colhidos antes das precipitações e o restante no início dessa semana. “Com a chuva, o grão avermelhou e manchou. Com isso, o prejuízo é maior ainda”, diz Sagrilo. O feijão de alto padrão vem sendo comercializado na região por R$ 60 a saca, já os grãos mais escuros são comercializados por R$ 40. “Não paga nem o custo. Perdemos na produtividade e no tipo. Com isso, o preço em baixa é prejuízo na certa”, diz.


Para o produtor Sergio Rubens de Souza, as questões climáticas ainda não influenciaram na região onde atua. Ele cultivou 20 alqueires na localidade de Rio Quieto, em Manoel Ribas. “As chuvas na região foram suficientes durante o desenvolvimento e a colheita. O grande problema é o preço que o feijão está sendo negociado”, afirma.

 

Oferta inibe cotações


Mais uma vez a semana fechou com a entrada de um grande volume de feijão no mercado atacadista. Segundo Marcelo Vicente, da Cerealista Raizama, em Ivaiporã, as empresas até tentaram segurar o volume, porém, com as indústrias empacotadoras abastecidas, a pressão continua do lado dos vendedores de feijão, que não conseguem elevações de preço. No Paraná, o grão ocupou 337 mil hectares e a última estimativa do Deral manteve a previsão de 550,47 mil toneladas, 12% acima da safra anterior
Por enquanto não há perspectivas de alta nos preços, pois existe um excesso do produto no mercado, com o avanço das colheitas nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Goiás e Minas Gerais.


Enquanto o clima desanima os produtores de feijão, os agricultores que plantaram soja e milho estão animados com as lavouras. A soja, por exemplo, tem apresentado um excelente desenvolvimento e já está em fase adiantada de florescimento e início de frutificação. Já safra de milho, apesar de pouca área com o plantio da cultura na região, tem bom desenvolvimento, boa qualidade e perspectivas de melhora no rendimento

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