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'Big Brother' da eleição russa flagra fraudes em todo o país

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IGOR GIELOW

MOSCOU, RÚSSIA (FOLHAPRESS) - Uma espécie de "Big Brother" criado para dar transparência às historicamente questionadas eleições russas virou a maior fonte de provas de fraude no pleito presidencial deste domingo (18).

O Kremlin, além de estar preocupado com a questão do comparecimento para legitimar sua vitória certa, quis evitar uma repetição dos protestos de rua devido à falta de lisura na disputa.

Para tanto, criou um site, o Nossa Escolha, no qual foi possível acompanhar imagens de câmeras de segurança instaladas em todos os 97 mil pontos de votação espalhados pelo país.

O tiro saiu pela culatra, se a intenção do governo era só aplacar críticos. As redes sociais foram inundadas por imagens claras de oficiais eleitorais preenchendo urnas com votos extra.

A Comissão Eleitoral Central informou que todas as denúncias serão apuradas e urnas, invalidadas em caso de comprovação. Disse também, contudo, que não viu nenhuma violação séria. Pelo que emergiu até agora, não parece haver um movimento suficiente forte para influenciar o resultado da eleição.

Em alguns pontos de votação, balões coloridos obstruíam a imagem; em outros, câmeras foram viradas para longe das urnas.

Houve pressões de outra ordem. Segundo disse à reportagem a mesária Anastasia Dagaeva, muitas pessoas tiraram "selfies" com seus votos para provar aos seus chefes que tinham ido votar em Vladimir Putin. Em todo o país houve casos semelhantes.

A ONG de transparência política Golos computou 860 casos para investigação posterior, 190 deles em Moscou.

A rede do ativista Alexei Navalni, líder de grandes protestos em 2017, apontou falha no sistema de registro de eleitores, que permitiu que pessoas votassem em várias zonas eleitorais diferentes.

Navalni havia proposto um boicote ao pleito, que ele disse não saber se deu ou não certo porque a abstenção foi combatida com irregularidades. Ele havia convocado o movimento porque foi barrado de concorrer contra Putin por ter condenação judicial em um caso algo obscuro, que ele aponta ser armação.

Há 1.500 observadores internacionais no país, além de 140 mil russos credenciados a fazer o trabalho -100 mil deles a serviço de Putin.

A reportagem circulou por quatro postos de votação do centro moscovita e encontrou mais apoiadores de Navalni.

"É uma fraude, mas claro que não podemos impedir ninguém de votar", disse Guennadi, 18, na seção 43, numa escola do elegante bairro de Zamovskvorechie.

O local abrigava uma tradição de eleições desde o tempo da União Soviética, quando o voto também não era obrigatório: uma feira de alimentos com desconto para atrair eleitores, além de petiscos gratuitos.

Frutas e cerveja estavam 20% mais baratas do que no "produkti", o mercadinho de esquina onipresente na Rússia, mais próximo. O mesmo ocorreu no posto de votação mais próximo do Kremlin, o 145, no bulevar Nikitski.

A segurança estava reforçada, com um detector de metais e um policial à porta, e só houve filas ao fim do dia.

Sorteios de eletrônicos, shows com garotas de biquíni e assemelhados circularam pela internet, assim como as também tradicionais imagens de eleitores fantasiados até como os "mísseis invencíveis" de Putin.




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