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Bandidos atacam UPP do Complexo do Alemão, no Rio

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NICOLA PAMPLONA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Bandidos atacaram na manhã deste domingo (18) a UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) Fazendinha, no complexo do Alemão, no Rio, onde troca de tiros entre polícia e bandidos deixou três mortos na noite de sexta (16).

O ataque ocorreu por volta das 9h. Durante a madrugada, a polícia realizou operação na comunidade, na qual foram apreendidos um fuzil com dois carregadores, um artefato explosivo, 640 embalagens com erva seca e 264 pinos com pó branco.

Também houve troca de tiros durante a operação, que foi realizada em uma localidade conhecida como Campo do Seu Zé. Os criminosos, porém, fugiram. Não há registro de feridos nos tiroteios na comunidade neste domingo (18).

Na sexta (16), troca de tiros entre polícia e bandidos deixou três moradores mortos, um deles uma criança de um ano. O tiroteio começou quando policiais abordaram um veículo em rua movimentada da comunidade.

Além da criança, chamada Benjamin, foram mortos Maria Lúcia da Costa, 58, e José Roberto Ribeiro da Silva, 54, que também moravam no complexo. 

MENINA BALEADA

Na noite de sábado (17), um suspeito foi morto e uma menina de 12 anos foi baleada em tentativa de assalto em Tomás Coelho, na zona norte da cidade. 

O tiroteio ocorreu depois que o pai da menina, que é policial, reagiu à abordagem dos bandidos. Outro suspeito conseguiu fugir.

A filha do policial foi levada ao Hospital Federal de Bonsucesso. Seu estado é estável.

INTERVENÇÃO

As mortes ocorrem no momento em que a intervenção federal na segurança pública do Rio completa um mês. A medida, inédita, foi anunciada pelo presidente Michel Temer (MDB) em 16 de fevereiro, com o apoio do governador Luiz Fernando Pezão, também do MDB.

Temer nomeou como interventor o general do Exército Walter Braga Netto. Ele, na prática, é o chefe dos forças de segurança do estado, como se acumulasse a Secretaria da Segurança Pública e a de Administração Penitenciária, com PM, Civil, bombeiros e agentes carcerários sob o seu comando.

O Rio de Janeiro passa por uma grave crise política e econômica, com reflexos diretos na segurança pública. Desde junho de 2016, o estado está em situação de calamidade pública e conta com o auxílio das Forças Armadas desde setembro do ano passado. 

Não há recursos para pagar servidores e para contratar PMs aprovados em concurso. Policiais trabalham com armamento obsoleto e sem combustível para o carro das corporações. Faltam equipamentos como coletes e munição.

A falta de estrutura atinge em cheio o moral da tropa policial e torna os agentes vítimas da criminalidade. Somente no ano passado 134 policiais militares foram assassinados no estado.

Policiais, porém, também estão matando mais. Após uma queda de 2007 a 2013, o número de homicídios decorrentes de oposição à intervenção policial está de volta a patamares anteriores à gestão de José Mariano Beltrame na Secretaria de Segurança (2007-2016). Em 2017, 1.124 pessoas foram mortas pela polícia.

Em meio à crise, a política de Unidades de Polícia Pacificadora ruiu -estudo da PM cita 13 confrontos em áreas com UPP em 2011, contra 1.555 em 2016. Nesse vácuo, o número de confrontos entre grupos criminosos aumentou.

Apesar da escalada de violência no Rio, que atingiu uma taxa de mortes violentas de 40 por 100 mil habitantes no ano passado, há outros estados com patamares ainda piores.

No Atlas da Violência 2017, com dados até 2015, Rio tinha taxa de 30,6 homicídios para cada 100 mil habitantes, contra 58,1 de Sergipe, 52,3 de Alagoas e 46,7 do Ceará, por exemplo.

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