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Polícia identifica placa e suspeita de um 3º carro em morte de Marielle

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SÉRGIO RANGEL

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A placa de um carro suspeito de levar criminosos envolvidos no assassinato da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL) foi identificada pela polícia do Rio. De acordo com os investigadores, imagens de câmeras de segurança da região da Lapa registraram dois homens parados dentro de um veículo por duas horas nas cercanias da Casa das Pretas, na rua dos Inválidos.

O local foi o último em que a vereadora passou antes de ser morta com quatro tiros na cabeça na noite de quarta-feira (14). Segundo as imagens, os suspeitos falavam no celular e seguiram o carro de Marielle após o debate no sobrado da Lapa. A placa mostra que o carro é de Nova Iguaçu, município da Baixada Fluminense.

A polícia tenta identificar os interlocutores da dupla nas conversas telefônicas, e dados das operadoras estão sendo coletados. A polícia trabalha agora com a hipótese de que mais de um carro participou da ação que terminou com a morte da vereadora. Seriam ao menos três veículos.

De acordo com investigadores, nas cenas flagradas por câmeras na Lapa é possível ver que os carros chegaram a trocar sinais de farol durante a movimentação de saída da parlamentar do debate. Minutos mais tarde, Marielle, 38, e o motorista Anderson Pedro Gomes, 39, foram mortos no Estácio, zona norte do Rio, cerca de 4 km adiante.

Uma assessora da vereadora que estava no carro sobreviveu. Nada foi roubado. A vereadora foi morta quando um outro carro emparelhou com o seu e disparou 13 tiros. Inicialmente, achava-se que nove tiros foram disparados, com base nas capsulas encontradas no local do crime. A investigação mostrou que outros quatro tiros disparados não atingiram o o carro. 

Marielle estava em um carro de vidro escuro, no banco de trás, do lado direito do veículo, onde se concentraram a maior parte dos disparos. Por causa da dinâmica usada pelos criminosos na morte, a principal hipótese dos investigadores é de um crime premeditado.

Desde o mês passado, a Segurança Pública do Rio está sob o comando do Exército. No mês passado, a vereadora foi nomeada relatora da comissão que acompanhará a intervenção federal na Câmara Municipal. Marielle era contra a ação do governo federal. No dia 10, ela publicou um texto em suas redes sociais denunciando abusos do 41º batalhão da PM contra moradores da favela de Acari.

Socióloga formada pela PUC-Rio e mestra em Administração Pública pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Marielle obteve 46.502 votos na última eleição.

Assaltos são frequentes na região em que Marielle foi morta. O vereador Renato Cinco (PSOL) foi roubado na madrugada de quinta (15). Ao voltar para casa após um ato em homenagem à companheira de partido, Renato teve o carro cercado por ladrões na esquina da ruas Joaquim Palhares e João Paulo I, no Estácio.

A esquina fica distante cerca de 400 metros do local do assassinato da vereadora. Na ação, a chave do carro quebrou e os ladrões levaram apenas celulares e objetos pessoais. O roubo aconteceu cinco horas depois da morte de Marielle.

CRIME

O assassinato a tiros da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista e a repercussão nacional e internacional do crime reforçaram a pressão sobre os interventores federais no Rio, deixando encurralados os militares do Exército responsáveis pela segurança do estado.

Decretada pelo presidente Michel Temer (MDB) com a justificativa de frear a escalada da violência, a intervenção completa um mês nesta sexta-feira (16), dois dias depois da morte de Marielle, 38, e do motorista Anderson Pedro Gomes, 39, em uma rua do Estácio, na zona norte, à noite, a menos de 200 metros de uma cabine da Polícia Militar.

Nascida e criada no complexo de favelas da Maré e crítica frequente da violência policial em áreas pobres, a vereadora levou quatro tiros na cabeça quando voltava de um evento. Nada foi roubado, e os criminosos fugiram. O motorista levou três tiros, e uma assessora sobreviveu. A principal hipótese dos investigadores é de crime premeditado.

Integrantes da cúpula da intervenção federal disseram à reportagem que a ação criminosa contra uma autoridade, com potencial de repercussão política e social, foi vista como uma afronta ao trabalho dos militares do Exército.

Sob comando do general Walter Braga Netto, eles participaram de uma série de reuniões e cobraram da Polícia Civil, que teve seu comando trocado na última semana, um desfecho rápido sobre os autores do crime. Ao menos oito equipes da Delegacia de Homicídios trabalham no caso.

Oficialmente, Braga Netto evitou se expor. Limitou-se a divulgar nota dizendo repudiar ações criminosas e monitorar a investigação em contato permanente com Richard Fernandez Nunes, general nomeado secretário da Segurança.

Temer usou a expressão "extrema covardia" ao se referir ao assassinato da vereadora e disse que ele "não ficará impune". "É um verdadeiro atentado ao Estado de Direito e à democracia."

Auxiliares do presidente dizem temer que a morte de Marielle provoque desgaste na intervenção federal e comprometa os benefícios políticos que se esperava obter.

O governo avalia que é preciso mostrar resultado rapidamente -encontrando os culpados em até 48 horas- para que uma crise não se instale. "Precisamos continuar atuando para mostrar que estamos combatendo o crime. Não vai haver recuo", disse à reportagem o ministro Moreira Franco (Secretaria-Geral).

A ideia é manter uma postura rígida para blindar a mensagem de que o governo atua contra a violência no Rio, além de impedir que a intervenção seja desmoralizada.

Parte do governo Temer pressiona os militares para aceitar um protagonismo maior da Polícia Federal na investigação -ideia reforçada pela procuradora-geral da República, Raquel Dodge.

As cúpulas do Exército e da segurança federal resistem, por avaliar ameaça de descrédito à instituição e à polícia.

Ministros agiram para desvincular a morte de Marielle dos resultados da ação militar no estado até agora. "A morte da vereadora não afeta a intervenção federal no Rio", declarou Torquato Jardim, ministro da Justiça.

"A intervenção nunca se propôs a fazer mágica", afirmou Raul Jungmann, ministro da Segurança Pública. Jungmann disse ter conversado com Raquel Dodge devido à pressão por atuação da PF na apuração. "Esse trabalho já está federalizado, porque temos uma intervenção federal no estado. Estamos todos trabalhando juntos."

Além de repercussão de autoridades, entidades e da mídia no país e no mundo, a morte da vereadora mobilizou milhares de pessoas em protestos -os maiores, no centro do Rio e na avenida Paulista.

Em sessão do STF (Supremo Tribunal Federal), ministros também reagiram ."Tem faltado palavras para descrever o que está acontecendo no Rio, uma combinação medonha de desigualdade, corrupção e mediocridade. Um círculo vicioso difícil de se romper e que tem conduzido à extrema violência", disse Luís Roberto Barroso.

"Se há algo que é, no pior sentido, democrático, é o preconceito contra nós, mulheres, o que representa grande sofrimento. Chegamos, sim, a alguns cargos, a ministra Rosa [Weber], eu, a procuradora-geral [Raquel Dodge], mas nem por isso deixamos de sofrer discriminação. Que ninguém se engane sobre isso", disse a presidente do STF, Cármen Lúcia, ao citar Marielle.

No mês passado, a vereadora havia sido nomeada relatora da comissão que acompanhará a intervenção federal no Rio. Marielle era contra a ação do governo federal. A participação de policiais -inclusive de milícias- na morte de Marielle é uma das hipóteses investigadas.

No último dia 10, ela publicou texto em redes sociais denunciando abusos do 41º batalhão da PM contra moradores da favela de Acari. Antes do assassinato da vereadora, os interventores prenderam na quarta quatro PMs acusados de comandarem uma milícia na Baixada Fluminense. No mesmo dia, houve inspeção do Exército em um batalhão da PM.

O presidente da OAB-RJ (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, disse, depois de um encontro com Braga Netto, que a morte de Marielle pode ser uma reação "dos setores corruptos" da segurança pública contra a intervenção.

"É óbvio que quando se mexe em estruturas consolidadas da segurança pública pode haver uma reação."




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