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Ato contra previdência de SP tem confronto e professores feridos

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GUILHERME SETO, FABRÍCIO LOBEL E ANTONIO MAMMI

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um protesto de professores e outros funcionários municipais contra a reforma da previdência paulistana proposta pelo prefeito João Doria (PSDB) terminou em confronto com guardas civis e PMs e manifestantes feridos na Câmara de São Paulo.

Em meio a debates inflamados e tentativas de obstrução do projeto, servidores foram atingidos dentro da Casa por spray de pimenta e uma série de golpes de cassetete de agentes da GCM (Guarda Civil Metropolitana). Com fratura no nariz, uma docente foi levada ao hospital com seu rosto ensanguentado.

Já manifestantes que estavam do lado de fora do prédio lançaram pedras, quebraram vidros e tentaram invadir a Câmara depois do fechamento do acesso. Foram atingidos por bombas de efeito moral lançadas pela Polícia Militar.

O tratamento aos professores no Legislativo foi atacado em rede social pelo secretário da Educação da gestão Doria, Alexandre Schneider, para quem "é inaceitável que se cometam excessos dessa natureza". "Estamos em uma democracia. E ela pressupõe livre direito de manifestação."

O prefeito, por sua vez, que deve sair do cargo no começo de abril para ser candidato ao governo paulista, afirmou ter havido excessos das duas partes -guardas e manifestantes-- e enfatizou críticas à tentativa de invasão da Câmara.

A confusão ocorre num momento de resistência crescente ao projeto de reforma da previdência municipal, que motiva uma greve de professores desde quinta (8).

A adesão ao movimento cresceu nesta semana e, nesta quarta, a própria prefeitura estimava que 82% das escolas ligadas à gestão direta estavam total (39%) ou parcialmente (43%) paralisadas.

O projeto de Doria prevê elevar a contribuição dos servidores com a justificativa de cobrir um déficit que poderia atingir R$ 20,8 bilhões em 2025 (leia texto nesta pág.).

O texto foi aprovado na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara nesta quarta. Mas a tentativa de Milton Leite (DEM), presidente do Legislativo e aliado de Doria, de abrir sessões extraordinárias para deixá-lo pronto para votação em plenário na terça-feira (19) acabou fracassada.

Vereadores da própria base aliada do prefeito saíram da Câmara devido à confusão, e não houve quórum. Com isso, a proposta ainda terá que passar pelas comissões de administração pública e de finanças, além de ser debatido em plenário, antes de ser votado.

A gestão Doria estabelece 31 de março como prazo máximo para sanção do projeto.

Nesta quinta (15), está prevista audiência pública na Câmara para debate da proposta. O sindicato dos professores programou ato no local.

MADRUGADA

A manifestação diante da Câmara reuniu uma multidão de servidores desde a manhã -parte acampou em frente ao prédio na madrugada. O sindicato da categoria disse ter reunido 15 mil pessoas.

O Legislativo liberou a entrada de professores ao salão onde ocorria a sessão da CCJ e a um auditório externo. Após tumulto, porém, a GCM fechou a entrada, e manifestantes fizeram um cerco ao prédio e tentaram invadi-lo.

Um grupo que tentou entrar pelos fundos do prédio foi recebido com gás de pimenta pela guarda civil.

"Ficamos acuados, era um corredor apertado e em nenhum momento fizemos uso de força. Nunca tinha me sentido tão agredida", disse Juliana dos Reis Domingues, 36, diretora de uma escola municipal no Jabaquara (zona sul).

O líder do governo, vereador João Jorge (PSDB), disse que manifestantes atiraram uma garrafa de água e um sapato contra ele na Câmara.

"A segurança pública tem que fazer valer seu trabalho (...) senão apenas um lado vai chegando, agredindo, e as pessoas poderiam eventualmente sofrer alguma agressão física", disse Jorge.

Após empurra-empurra dentro do prédio, guardas que estavam com escudos desferiram golpes de cassetete contra os servidores.

Professor de carreira e funcionário do gabinete da vereadora Sâmia Bomfim (Psol), Bruno Magalhães, 33, diz ter sido atingido por dois tiros de bala de borracha ao tentar ajudar "professores idosos" a sair. Magalhães teve que tomar sete pontos na cabeça em uma unidade de saúde.

O defensor Carlos Weis disse que a Defensoria Pública vai solicitará imagens para pedir indenização às vítimas.

A PM afirmou que ficou só do lado de fora da Câmara e que a intervenção foi necessária devido ao tumulto, mas que ninguém foi detido.

Questionada pela reportagem, a GCM não se manifestou. A Câmara Municipal informou, por sua assessoria, que eventuais excessos das forças de segurança serão apurados.

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