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Pelé diz em evento que vai criar fundação voltada para crianças

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MARIO CESAR CARVALHO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em novembro de 1969, duas semanas antes de fazer o milésimo gol, Pelé diz ter visto uma cena que mudou a sua ideia sobre infância e pobreza. Ele conta que saía de um treino do Santos e encontrou dois garotos tentando roubar o carro de um jogador.

Quando Pelé perguntou o que eles estavam fazendo, disseram para ele não se preocupar: "Nós só estamos roubando do pessoal de São Paulo, não de Santos", teriam dito, segundo o jogador. Pelé conta que foi por causa dessa cena que dedicou o milésimo gol, marcado em 19 de novembro de 1969 de pênalti contra o Vasco, às crianças. "Foi por isso que pedi para o governo dar mais atenção às crianças. Não foi nada pensado."

Aos 77 anos, com 1.283 gols e 48 anos depois do milésimo, Pelé diz que vai dar sua contribuição pessoal para a infância: ele afirmou que vai criar uma fundação voltada para crianças. "O importante são os meninos. Eles são a base do amanhã". O anúncio foi feito no Fórum Econômico Mundial para a América Latina nesta quarta (14), em São Paulo.

Pelé foi entrevistado pela jornalista Ana Clara Costa e lotou uma sala com capacidade para cerca de cem pessoas, numa plateia que tinha grandes empresários brasileiros, da América Latina e dos EUA.

David Feffer, presidente do grupo Suzano, por exemplo, quis saber do atleta qual era a sensação de marcar um gol. Pelé ponderou que dependia do jogo, se era do Santos ou da seleção, qual era o resultado, se era final de Copa do Mundo ou jogo ordinário para chegar à seguinte conclusão: "O gol é mais ou menos igual a um parto, ao nascimento de um filho".

Outro empresário perguntou qual era o melhor jogador de futebol. Pelé deu uma resposta tripla, justificando que era assim porque nasceu em Três Corações e não gosta de um só atleta. Disse que os seus favoritos são Messi, Ronaldo e Neymar.

Numa provocação, a jornalista quis saber quem era melhor: Pelé ou Maradona? Pelé fez graça: "Eu não vou falar do Maradona porque minha mãe não vai gostar".

Pelé contou que o maior trauma que já enfrentou não foram as contusões nas Copas de 1958 e 1966, mas as duas cirurgias que sofreu na cabeça do fêmur, a primeira em 2012 e a outra em 2016. Por causa das cirurgias, ele teve de se locomover com cadeira de rodas e mais recentemente com andador.

Pelé disse que o problema na cirurgia feita no Brasil não foi erro médico, versão que ele próprio já apresentara anteriormente.

O atleta recebeu dos organizadores do fórum o título de cidadão global, uma honraria que antes havia sido dada ao boxeador americano Muhammad Ali (1942-2016), e apontou o seu pai, o também jogador Dondinho, como o seu maior apoiador. Foi do pai, segundo Pelé, que ele ouviu o conselho mais sábio em sua vida: "Nunca pense que você é o melhor".

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