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Trump demite Rex Tillerson, e diretor da CIA será novo secretário de Estado

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente dos EUA, Donald Trump, demitiu o secretário de Estado, Rex Tillerson, e o substitiu pelo diretor da CIA, Mike Pompeo. A decisão foi anunciada pelo republicano em rede social.

Trump pediu na sexta-feira (9) que Tillerson deixasse o posto; o secretário, que estava em viagem à África, voltou mais cedo a Washington, nesta segunda (12).

A mudança vem em um momento em que o governo Trump está envolvido em delicadas negociações com a Coreia do Norte.

Com a ida de Pompeo ao Departamento de Estado, é esperado que Gina Haspel vá substituí-lo no comando da CIA —a primeira mulher a comandar a agência de inteligência, caso o nome dela seja confirmado.

Em comunicado, Trump elogiou Pompeo e Haspel, chamando a indicação dela de "passo histórico".

"Quero agradecer a Rex Tillerson por seu serviço. Muita coisa foi conquistada nos últimos quatorze meses, e desejo bem a ele e a sua família", escreveu o presidente.

O presidente, que vem se desentendendo com Tillerson —considerado por Trump muito ligado ao "establishment"— decidiu que era importante fazer a mudança agora, durante os preparativos para conversas com o líder norte-coreano Kim Jong-un e para negociações de tarifas comerciais.

Apesar da animosidade dom Trump, Tillerson vinha resistindo a sair do posto de principal diplomata dos EUA. A distância entre os dois, porém, ficou evidente quando o presidente aceitou o convite para se reunir com Kim Jong-un, para surpresa de Tillerson, que estava em viagem.

Em outubro, a rede de televisão americana NBC noticiou que Tillerson havia chamado Trump de "idiota" durante uma reunião, o que o secretário nunca negou diretamente.

Tillerson, que era presidente da petroleira ExxonMobil, não tinha experiência política ou diplomática antes de entrar para o governo Trump. Ele e o presidente divergiram publicamente diversas vezes, inclusive em relação à Rússia e à Coreia do Norte.

Na segunda-feira (12), Tillerson criticou a Rússia pelo envenenamento de um ex-espião e de sua filha no Reino Unido, culpando Moscou diretamente pelo incidente, enquanto a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, foi menos incisiva.

VENEZUELA

Em fevereiro, Tillerson fez viagem pela América Latina, onde visitou Colômbia, Argentina e Peru, mas não o Brasil. Logo antes do tour, uma fala sua causou polêmica, quando ele sugeriu um golpe militar na Venezuela. À época, o chefe da diplomacia americana afirmou que, embora os EUA não estivessem estimulando uma "mudança de regime" no país, o "mais fácil" seria se o ditador Nicolás Maduro deixasse o poder.

"Na história da Venezuela e dos países sul-americanos, às vezes os militares são o agente da mudança quando as coisas estão tão ruins e a liderança não serve ao povo", discursou na Universidade do Texas em Austin, aludindo aos golpes de Estado que ocorreram na região na segunda metade do século 20. Mas acrescentou: "Se esse é o caso aqui, eu não sei".

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