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Negrini diz que já pensou em desistir de ser atriz: "Era muito dramática"

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MARCELA RIBEIRO

RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) - O tempo passou e Alessandra Negrini não mudou quase nada - é até difícil acreditar que ela tem 47 anos. Ao ouvir elogios, a atriz dá um sorriso tímido e minimiza.

"É normal. É genética... Os anos vão se passando, tenho cuidados básicos de alimentação. Me toquei que não posso ficar comendo como antigamente porque agora engorda mais fácil, tem que tomar cuidado", diz. Ela afirma ainda que gosta bastante de frequentar a academia.

Desde que estreou na TV, em "Olho no Olho", há 25 anos, Alessandra Negrini interpretou personagens marcantes, como a Engraçadinha (1995), a Paula de "Anjo Mau" (1997) e Isabel de "A Muralha" (2000). No total, foram mais de dez minisséries, dez novelas, além 15 filmes e sete peças.

"Não sou pessoa que fica olhando para trás e diz que poderia ser diferente. Foi muito bom até agora, tudo aconteceu como tinha que acontecer. Sou fruto de muito esforço, nada cai do céu", orgulha-se.

Alessandra, no entanto, admite que nem sempre foi assim e, com as dificuldades enfrentadas no início da carreira, pensou em chutar o balde.

"Quando era mais jovenzinha, estava começando, pensava em desistir, tinha dúvidas se ia dar certo... Os trabalhos iam chegando, eu ia fazendo, mas sempre fui muito dramática, hoje não sou mais tão dramática, sou mais feliz neste ponto, bem melhor", diz.

A atriz está no elenco de "Orgulho e Paixão", próxima novela das seis, que estreia dia 20 na Globo. Na trama, de Marcos Bernstein, ela interpreta a vilã Suzana, uma mulher dissimulada, manipuladora e sedutora.

"Ela quer o dinheiro. Ela não é apaixonada pelo Darcy [Thiago Lacerda], ela é malandra, 'vai malandra', ela só quer se dar bem, não tem escrúpulos, ela é péssima. Ela é interesseira, só que ela é engraçada. Dá meio errado as coisas que ela faz, mas ela é uma mulher também de negócios, uma mulher que trabalha, que traiu o marido."

A novela se passa no início do século 20, aborda temas como feminismo e a mulher buscando seu papel na sociedade. A atriz aproveita para comparar o tema na atualidade.

"É surpreendente que ainda exista o machismo. O bacana desse tempo é que a gente está constatando isso, reconhecendo isso... O bacana é que o feminismo voltou pelo coletivo. Nós estamos unidas, acho que está sendo bacana. Tem alguns exageros, mas isso faz parte do caminho para gente chegar a um equilíbrio e está todo mundo se perguntando, né? Os próprios homens estão em crise. Quem somos nós hoje no mundo? Homens e mulheres e trans, gays..."

Há seis anos, Negrini aproveita o Carnaval para dar o ar da graça pelas ruas de São Paulo no bloco Acadêmicos do Baixo Augusta. No meio da multidão, ela tira fotos com fãs e chama a atenção pela beleza, fantasia e dedicação à folia paulista.

"O Acadêmicos virou o maior bloco de São Paulo e o Carnaval de lá virou o segundo maior do país e tudo isso a gente começou ali no chão, fazendo um bloquinho e foi crescendo. Então a gente se sente um pouco responsável também por essa ocupação das ruas", comemora.

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