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Diálogo com Kim não significa negociação, diz secretário de Estado dos EUA 

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson confirmou nesta sexta-feira (9) que o presidente Donald Trump vai se reunir no próximo mês com o ditador norte-coreano Kim Jon-un, mas disse que o encontro servirá apenas para os dois conversarem e que não haverá negociações envolvidas.

A declaração do chefe da diplomacia americana acontece um dia depois de Chung Eui-yong, diretor de segurança nacional da Coreia do Sul, anunciar que os dois líderes aceitaram se encontrar em maio.

Tillerson disse que os americanos ficaram surpresos ao receberem de Chung a notícia de que o ditador norte-coreano queria dialogar. "Foi o relatório mais avançado que tivemos, em termos de que Kim Jong-un não estava apenas disposto a conversar, mas expressou um forte desejo de que isso ocorresse", afirmou ele durante uma visita a capital do Djibuti, na África.

O americano disse que ainda não está definida a data do encontro, mas afirmou que a conversa ainda deve demorar algumas semanas para acontecer.

Segundo o secretário de Estado, a decisão de aceitar o convite foi tomada por Trump sozinho. "O presidente diz há algum tempo que está aberto a conversar e que estava disposto a se encontrar com Kim se as condições estivessem certas. Acredito que no julgamento do presidente, essa hora chegou."

A ideia de um encontro com Trump foi proposta por Kim em um jantar na segunda (5) que ele teve com uma delegação da Coreia do Sul em Pyongyang. Chung, que chefiava o grupo sul-coreano, viajou na quinta (8) para Washington para transmitir o convite a Trump, que aceitou de imediato.

Segundo Chung, o ditador se comprometeu a interromper os testes nucleares e lançamentos de mísseis no período das negociações com os Estados Unidos.

Kim também teria dito que não irá retomar as provocações caso se encontre com Trump. Os dois líderes trocaram uma série de insultos e acusações ao longo de 2017, na esteira de uma série de testes de mísseis e de armas nucleares feitos por Pyoingyang.

O norte coreano chegou a dizer que ter um botão nuclear ao alcance das mãos —ao que Trump, que costumava chamá-lo de "o homem do foguete", respondeu ter um botão "maior e mais poderoso".

Desde o início de 2018, porém, o ditador norte-coreano retomou o diálogo, em especial com a Coreia do Sul.

O país enviou uma delegação de atletas e diplomatas para a Olimpíada de inverno no país vizinho em fevereiro, além de ter recebido a comitiva sul-coreana em Pyongyang esta semana.

Assim, o encontro entre os dois líderes é mais um passo nessa aproximação da Coreia do Norte com seus antigos adversários. A reunião deve girar em torno do programa nuclear norte-coreano, mas nada foi anunciado ainda sobre o assunto.

Não está claro ainda quais concessões os EUA estão dispostos a fazer e o que a Coreia do Norte busca conseguir exatamente.

Nesta sexta, o porta-voz do presidente sul-coreano Moon Jae-in disse esperar que a reunião faça Pyongyang desistir do seu programa de armas e leve a uma desnuclearização da península.

APOIO

O encontro, o primeiro entre um presidente americano e um ditador norte-coreano desde o início da Guerra da Coreia em 1950, recebeu apoio de líderes interacionais.

A China, maior aliada de Pyongyang, disse que a decisão é um sinal positivo na aproximação entre os países.

"Esperamos que todos os lados mostrem a coragem política necessária para tomar decisões e começar encontros bilaterais ou multilaterais para avançar o processo e resolver pacificamente a questão nuclear na península coreana ", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuan.

Já o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que a reunião é "um passo na direção certa" e defendeu a participação do Conselho de Segurança da ONU nas futuras negociações. "Não deve ser apenas um encontro, é preciso que abra um caminho para resgatar um processo diplomático que ache uma solução para a questão nuclear norte-coreana", afirmou.

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