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PM contradiz prefeitura e nega ideia de decreto que beneficia Doria

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Militar de São Paulo negou nesta quarta-feira (7) ter recomendado a edição do decreto assinado pelo prefeito João Doria (PSDB) que estendeu para ex-prefeitos os serviços de segurança pessoal prestados hoje ao chefe do Executivo da cidade de São Paulo

A corporação emitiu uma nota após o secretário de Governo de Doria, Julio Semeghini, ter afirmado à reportagem que o dispositivo havia sido uma ideia do órgão policial.

Doria deve deixar a prefeitura no início de abril para concorrer ao governo do estado. Agora, com o decreto assinado por ele, o tucano poderá desfrutar da proteção policial durante o período em que eventualmente estiver em campanha, por exemplo. Segundo o decreto, revelado pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (5), o ex-prefeito terá direito ao serviço pelo período de um ano a partir do momento em que deixar o cargo —por isso, Doria será o primeiro beneficiado.

Também nesta quarta, o prefeito deu um passo atrás em relação ao decreto.

Em vídeo divulgado em redes sociais, prefeito prometeu devolver todo o valor correspondente aos cofres públicos da cidade. Os policiais militares que fazem a segurança do prefeito (e agora de ex-prefeitos) são pagos pelo governo do estado e tem suas gratificações custeadas pelo município. “Reembolsarei a prefeitura de São Paulo integralmente o valor mês a mês correspondente a esse serviço. Exatamente como faço com o meu salário”. Doria disse que os reembolsos serão acompanhados pela Controladoria Geral do Município.

No mesmo vídeo, Doria defendeu o decreto e disse que a medida “é justa e positiva para que futuros prefeitos não tenham medo de agir contra a bandidagem na cidade”, afirmou.

O tucano disse que decidiu pelo decreto após ter sido ameaçado quando iniciou a prisão de traficantes na cracolândia, numa referência à ação do governo do estado em maio do ano passado que desobstruiu vias e prendeu traficantes no centro de São Paulo. “Com a iniciativa da prefeitura e do governo do estado, Polícia Militar e Polícia Civil, nós, ao lado da Guarda Civil Metropolitana, prendemos mais de 320 traficantes de uma facção criminosa daqui da cidade de São Paulo. Recebi várias ameaças, mas não me intimidei e não vou me intimidar”, disse.

A declaração do prefeito foi a primeira desde a publicação do decreto. Desde então, ele se recusava a justificar a medida, enquanto duas ações contra o decreto chegavam à Justiça de São Paulo.

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