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Após eleições, centro-esquerda italiana vive crise 

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DIOGO BERCITO

MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Assim como os vizinhos europeus, a Itália testemunhou nos últimos anos o declínio de suas forças de centro-esquerda, em um processo agora cristalizado nas urnas.

O Partido Democrático do ex-premiê Matteo Renzi sofreu uma grave derrota nas eleições de domingo (4). Sua aliança de centro-esquerda recebeu apenas 112 assentos dos 630 disponíveis na Câmara, segundo os resultados preliminares. Já a centro-direita conquistou 260 e o Movimento 5 Estrelas, contrário ao sistema, chegou a até 221. É a mesma experiência vivida pelo Partido Socialista francês, pelo Partido Socialista Operário Espanhol e pelo Partido Social-Democrata alemão, que também recuaram nestes anos, com derrotas históricas.

Renzi é em parte responsabilizado pela crise de seu partido. Foi ele quem convocou um referendo em dezembro de 2016 para aprovar uma impopular reforma constitucional -sua derrota nas urnas, vista pelos aliados como desnecessária, levou ao fim de seu governo e alimentou uma crescente insatisfação.

Ele também é prejudicado pela persistente crise econômica, em um país que deve crescer 1,5% neste ano e onde há 11% de desemprego (33% para a população com menos de 25 anos). Há a sensação de que a austeridade dos últimos anos ainda não deu resultados, algo que alimenta os partidos populistas.

Diante desse cenário, Renzi se demitiu da liderança da sigla na segunda-feira (5), mas deixou a saída em suspenso enquanto os partidos negociam o próximo governo, algo que não agradou os aliados.

Esse deve ser um processo longo, já que ninguém tem a maioria necessária de 40% do Parlamento para governar sozinho.

A liderança está com a centro-direita e com o 5 Estrelas. O Partido Democrático deve, a princípio, ficar para a oposição, sem se aliar a nenhum deles -uma decisão tomada por Renzi e contestada dentro do partido, em que há algumas alas favoráveis a formar um governo com o neófito 5 Estrelas.

"O Partido Democrático deve estar na oposição aos extremistas", disse o ex-premiê. "O 5 Estrelas e a direita nos insultaram por anos. São antieuropeus, antipolíticos. Disseram que somos corruptos, mafiosos e que temos as mãos sujas de sangue pela migração. Que eles formem um governo."

Em seu discurso, Renzi também assumiu parte da culpa por ter conduzido uma campanha que, afirmou, foi demasiado técnica. "Nós não mostramos a alma das coisas feitas e por fazer."

Seus rivais, por outro lado, construíram plataformas em cima de temas urgentes e de impacto emocional, como a questão migratória. Um dos vencedores do pleito foi a Liga, parte da coalizão de centro-direita que promete expulsar até 600 mil migrantes.

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