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Primeiro comboio de ajuda humanitária chega à região síria de Ghouta

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A região síria de Ghouta Oriental, que está sob ataque das forças leais ao ditador Bashar al-Assad, começou a receber nesta segunda-feira (5) um comboio humanitário, a primeira ajuda a chegar desde o início dos bombardeiros há duas semanas.

Autoridades que acompanham o comboio reclamaram que o governo sírio impediu a entrada de parte dos medicamentos e que manteve os bombardeiros durante a passagem do grupo. Segundo um acordo proposto pela Rússia, aliada de Assad, os ataques deveriam ser interrompidos durante cinco horas diárias para a passagem de ajuda humanitária.

"Precisamos ser assegurados de que vamos ser capazes de entregar o auxílio humanitário sob boas condições", disse à agência de notícias Reuters Ali al-Za'tari, representante da ONU na missão.

A região de Ghouta Oriental (formada por uma série de fazendas e cidades satélites) tem cerca de 400 moradores e é o último ponto controlado pelos rebeldes próximo a Damasco.

Por isso, desde 2013 o Exército sírio impôs um cerco ao local, dificultando o acesso da população a alimentos e remédios. A situação piorou desde o início da nova onda de ataques, com a qual Assad já teria recuperado mais de um terço do território da região. Mais de 700 pessoas morreram nos bombardeios, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, que tem sede em Londres.

O Conselho de Segurança da ONU aprovou uma resolução pedindo uma trégua de 30 dias em Ghouta, mas a medida até o momento não foi seguida. Assad afirma que os rebeldes que controlam a região são na verdade terroristas e que, por isso, não iria seguir o cessar-fogo.

O comboio desta segunda, formado por 46 caminhões, foi acompanhado pelas Nações Unidas, pela Organização Mundial da Saúde e pelo Crescente Vermelho. O objetivo inicial era levar comida para 70 mil pessoas, mas segundo Za'tari, no fim apenas 27.500 moradores vão receber os alimentos, já que o governo sírio bloqueou a entrada do resto do material.

A OMS afirmou que cerca de 70% dos equipamentos médicos, incluindo kits cirúrgicos, insulina e equipamentos de diálise, também foram impedidos de entrar.

A ONU afirmou que Damasco autorizou a entrada do restante do material em um novo comboio, que deve acontecer em três dias. A Síria não explicou as razões para o bloqueio.

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